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segunda-feira, 23 de março de 2009

NOTURNO

A noite desposa seus cansaços
na esteira da rua plúmbea
e rumina as aguras do tempo.
Poeta noturnos
pisam calçadas de nuvens
e inventam cançõeos de mar,
entre a canção e o tédio
há um abismo neutro.

Existe em tudo solidão
amarga e solene
que vem das casas
encharcadas de tempo
de vidas passadas
desta bairro soturno.

As palavras se calam
no ventre da garganta
e levantam andaimes
de sonhos
para a construção
do poema noturno.

Um comentário:

  1. Este poema é um brilhante, Júlio. Um dos mais bonitos dos teus que já lí. Verdadeira obra prima.

    Obs: Lindas as fotos do poeta com a amada em Paris. Tem lugar melhor para se estar com a pessoa amada?

    beijos

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