Páginas

segunda-feira, 21 de março de 2011

DEGRAUS DO SILÊNCIO


Desço sereno os degraus do silêncio
e me refugio nas sombras do alpendre,
no alto uma lua madura pasta silente
num céu bordado de estrelas.
Na solidão das horas a arqueologia do tempo
desenterra do solo de minhas memórias
antigas miragens presas a um tempo vivido
e no instante de sonho vejo as mãos cálidas
de minha mãe acariciando o ar dos meus cabelos
ouço a voz plena de ternura de meu pai
na oração contrita antes de dormir.
Subo tenso aos degraus do silêncio
( momento de angustia e melancolia)
quando a noite lesta e calada
com seu inventário de nevoa e delírio
invade decisiva os hectares da madrugada
em busca dos clarões do dia.
( foto de Jorge Siqueira)

sexta-feira, 11 de março de 2011

PRAIA DE IRACEMA


Eu e tu
nós dois
ouvindo
o poema
deste mar
de Iracema.

segunda-feira, 7 de março de 2011

CAMINHAR


Caminho meus pés
pelas trilhas da madrugada
insones meus olhos
fogem dos sonhos,
no parque as árvores
bebem o orvalho
da manhã
e se perfilam
para receber
o sol,
nas ruas
há tanta gente
sem sorrisos.