terça-feira, 18 de maio de 2010

A FOTOGRAFIA

O olhar fixado na relva
viçosa e orvalhada
a alva pele banhada
pelo sol no préludio do dia,
e a moça bonita contando
pétalas de rosas no jardim
da clara manhã de verão
embala meus sonhos eróticos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

CHUVA

A chuva intermitente molha
os cílios da tarde
e irriga a pele
das ruas da cidade.
Nas esquinas úmidas
e sujas de Santa Quitéria
mendigos em trapos
revelam na melancólia
dos olhos intumescidos
sinais graves de suas misérias.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

POESIA MARGINAL ( a poeta e o cão)

Sentada na varanda de tempo
num dia de sol á pino
com o olhar aguçado e esmiuçador
a poeta observa o instante construído
( o cão Bono vem deitar ao seu lado
e finge dormir).
a poeta ver a vida
criar e recriar o caos
as angústias numerais
e lançá-las sobre as ruas
da cidade asfixiada em gás
carbônico
a poeta excomunga
a letargia do trânsito
a anti-poesia grafitada
nos muros e fachadas
de casas e edifícios
a poeta vislumbra as esquinas
e lamenta a falta de comiseração
com os meninos sem futuro,
párias sociais que perambulam
pelos guetos urbanos
(enteados de uma pátria madrasta).
De repente o cão Bono, sem alarde,
salta sobre o colo da poeta
e neste instante poeta e cão
unidos,
humanizam a tarde
humanizam a vida
humanizam o mundo.

domingo, 9 de maio de 2010

LEGADO


Deixo meus sonhos inconclusos
na limpidez concreta dos teus olhos
de mar,
minhas agruras e desencantos existenciais
deposito no escaninho do tempo presente

( para posterior esquecimento)

e deixo, finalmente, meus desejos carnais
plantados na morna estepe do teu ventre.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

ESTUDO VESPERAL EM MARINHA

Estou nesta gótica janela de mundo
( esperando o claro acontecer de vácuos)
e fiz de seu parapeito meu periscópio
de onde lobrigo a letargia da tarde
descer os degraus do dia
e caminhar para o mistério do ocaso.
Olho a paisagem ao redor e alem:
observo o mar no seu discurso de ondas
impacientar insistentemente os recifes,
e em um céu de azul acetinado
histéricas andorinhas em vôos pandos
tatuam arabescos na pele do vento,
na linha do horizonte uma jangada solitária
perfila-se solene aos rigores do terral
enquanto uma gaivota em garras, frénetica,
bica a superficie das águas em vôo acrobático.
Vejo agora (resoluta) a noite lançar ancora
nas alvancentas areias da praia deserta
e assisto inebriando a dança das marés.

(Praia do Barro Preto, Ceará/maio/2010.)

terça-feira, 4 de maio de 2010

AS SETE LUAS ( para a poeta Lara Amaral)


Quando as sete luas passarem
e o tempo mostrar a rota da primavera
colherei flores no campo para te oferecer,
catarei fiapos de sol para amornar
minhas mãos em gestos de espera
e mostrarei o meu melhor sorriso
para ávido e ansioso te receber
no mesmo alpendre que um dia
te viu partir com chispas de luas nas mãos.
Não desespere,amiga e amor, espere um pouco mais
que toda essa angústia e agonia
vão acabar com o sôpro de tua chegada
pois sete luas passam rápidas demais.

CAOS

Há tantas cicatrizes nestes caminhos, há tantos passos errados nestas estradas nenhum sorriso percebi nesta multidão encharcada de traumas e...