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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A COR DO OLHAR

O olhar se perde no vácuo
das horas.
Polimorfos os raios solares
( semi-opácos)
não penetram na cortina
de neblina que embota
de cinzas e névoas
os labirintos da cidade.
Nada de novo
nestes dias frios
e grisalhos,
apenas uma andorinha
em garras tenta inventar
em vão, o verão
no território do inverno.
E no brilho dos teus olhos
vestígios de mar.

sábado, 12 de novembro de 2011

O POEMA

O poema desgarra-se de mim
impávido e resoluto divorcia-se
dos meus intentos vivenciais,
inventa outono no território do verão
acalenta o plácido coito dos amantes
matiza o corpo virgem da manhã
evoca a leveza dos jardins
na contemplação dos tecidos do dia
voeja pelas dimensões do tempo
desce as inclinações do sol
descreve a geografia do silêncio
rompe a solidão do alpendre
e pousa suavemente casto
na arquitetura cálida e sensual
dos teus seios brancos e castiços.
O poema jamais voltará para mim.