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segunda-feira, 30 de maio de 2011

POEMA

A amanhã escorre pelas maçãs
do teu rosto e o último vento
de primavera arrisca beijar
teus cílios sob um sol morno
que ainda alimenta os jardins
da cidade. Súbita chega a tarde
com seu complexo de noite
e traz os pássaros em último
vôo vesperal sobre as copas
das árvores que se agitam
com os ventos molhados.
E lentamente a noite vem chegando
com sua genitália de sombras
e seu sudário de nevoa e agonia
e ao longe para os lados do Boulevar
o toque de um oboé
parece suavizar os estertores do dia.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

UM POEMA DE CARMEM PRESSOTO



No entardecer dos dias
a saudade sopra seus rastros
o chão amarelo
o sol traz sua luz.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

EM CARNE VIVA

O governo engole
os impostos
como um monstro
Leviatã,
os políticos de dentes
de ratos afiados
devoram as emendas
do orçamento
e não há profilaxia
contra a corrupção
nos subúrbios
do poder.
II
O capital enfia
suas garras na carne
do proletário
( decisivo e sem dó)
e em carne viva
ele ver seu salário
desabar nas gôndolas
dos supermercados
da vida,
enquanto nas periférias
sujas e encardidas
os párias da fálida
democracial social
catam nos lixões
restos de comidas
se lambuzando
na merda dos burguêses
do pais do carnaval.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

VIVRE DANS LA CHAIR



Les hirondelles du gouvernement

taxes

comme un monstre

Léviathan

politiciens de dents

rats dévorent forte

coutures

budget

pas de prophylaxie

la corruption

dans les banlieues

pouvoir.

Les discussions de la capitale

griffes dans la chair

prolétarien

( sans pitié et de compassion)

et des matiéres brutes

il voit son salaire

l effondrement des étagères

supermarchés

la vie,

tandis que dans les périphéries

sale et crasseux,

les exclus de la faillite

la social-democratie

récupération dans les décharges

restes

si bavures

de la merde dans bourgeois

carnaval du pays.

sábado, 21 de maio de 2011

POEMA



As sombras se aglomeram
sobre a extensão do alpendre
um vento sibilante, em acoite,
levanta a poeira dos anos
acumulada no quintal da casa
súbito o relógio das horas
capta em seu sonar de tempo
vestigios da noite.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A CASA




Da velha casa de minha infância

restaram apenas sombras

do passado impregnadas nas paredes

encardidas e sem caiação,

corredores carcomidos pelos cupins

do tempo

e o velho alpendre onde silente

uma legião de mortos se posta

e mastiga a erva de sua solidão.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

OS PINCÉIS DE MONET




Um sol denso e morno penetra

ás fímbrias da tarde de outono,

rosas refulgentes desabam

sobre a superficie do lago

após a chuva e como espadas

(esgrimindo )

os pincéis de Monet traçam

os enigmas do silêncio.



quarta-feira, 4 de maio de 2011

GÉNESIS



Esse dilema existêncial

me aflige e me inerva

não sei sou filho do barro

ou filho do esperma.