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terça-feira, 30 de junho de 2009

MAR E TARDE

As vezes passo horas da tarde
olhando o mar
contemplando o mistério
de suas ondas
ouvindo o silêncio
dos seus búzios
com ansiedade de naufrago.
Mar e tarde comunhão
poética forjada por Deus
formas absolutas de beleza
que encantam a vida.
As vezes passo horas da tarde
olhando o mar
confessando desencanto
dor e palpitação
em silêncio, sem alarde.

EPITÁFIO PARA MICHAEL JACKSON

Michael não morreu: musicou-se, diria Quintana.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

MINÍMA ENDECHA PARA MICHAEL

A mente ativava as pernas
as pernas firmes traduziam
a musicalidade enebriante
aos gestos acrobáticos.

Um dia a mente parou
as pernas enrijeceram
e os gestos simplesmente
morreram.

MINÍMA ERÓTICA

Sábado. Meia - noite.
Quando demoras a chegar
a solidão se veste de saudade
e a espera vem me inquietar;
quando não te penetro, amiga,
morro de ansiedade.

terça-feira, 23 de junho de 2009

MADRIGAL

Ontem, Douga, te vi na praça
em frente a igreja do Rosário,
estavas vestida de sol
e os teus olhos eram duas chamas
amornavam a epiderme da tarde.

Hoje, Douga, te vi na orla do rio
(em teu passeio noturno)
estavas deliberadamente linda
trazias nos cabelos uma rosa amarela
e dos teus olhos saiam duas luas
que iluminavam o território
da noite.

sábado, 20 de junho de 2009

RELEMBRANDO OS GÊNIOS



Jack Kerouac é considerado o profeta da geração Beat que nos anos 40 rompeu com os valores da sociedade americana, adotando um estilo de vida pouco convencional a chamada contra-cultura. Escreveu 12 livros entre os quais: "Mexico City Blues" e On The Road", traduzido no Brasil como "Pé Na Estrada". Kerouac foi um dos escritores que transformou a literatura americana, principalmente, o academicismo que norteava os escritores americanos da época. Foi um gênio da literatura dos Estados Unidos da América do Norte.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

ELEGIA QUASE

Quando a inelutável me convocar
compulsoriamente para habitar
os vales verdes sem fim
onde a primavera nunca vai embora
e o sol nunca apaga seu lume,
não vestirei a túnica inconsútil
dos mortos mesmo sendo de linho
não vou querer incêndios de velas
nem os triviais epitáfios
tatuado sobre a lápide
inconsequente e fria.
Desejarei apenas que alguem
( parente ou amigo)
pendure no meu túmulo
um poema de Farias de Carvalho
ou de Nydia Bonetti.

(O poeta Farias de Carvalho foi e continua sendo o meu guru. Poeta imenso que tive o prazer trabalhar com ele na redação do saudoso jornal "A Noticia". Aprendi muito como este mestre das letras amazônicas. Nydia Bonetti é a poeta paulistana que extrai das coisas simples da vida belezas poéticas, verdadeira arquiteta de sonhos, garimpeira de luas e luares. Dois poetas, duas admirações. Este poema foi feito em cima do poema Epitáfio em que o poeta Farias de Carvalho, diz que quando morresse queria apenas que a noite pendurasse em seu túmulo uma estrela.)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

TENTATIVA DE POEMA PARA ERNESTO PENAFORT

Tua carpintaria poética
recuperava velhos sonhos
onde o tempo e memória
se fundiam e tuas mãos
calosas de auroras
fabricavam poemas
azuis pejados de esperanças.
Lendo os teus versos
revisito a infância
desço os degraus
da adolescência
mergulho nas aguas
azuis e mansas dos regatos
esquecidos e me invento alado
e tal um pássaro onírico
pouso suave nos andaimes
de cristal dos ocasos mortos
das tardes outonais
da Manaus esquecida.
Um dia, poeta amigo
quando o silêncio
acorrentar minha voz
e quandos meus olhos
deixarem de se enebriar
com o nascer das manhãs
e com a policromia
do por-do-sol,
nos encontraremos
( silentes)
no bojo azul de alguma lua
amanhecida.

( Ernesto Penafort foi um dos maiores poetas amazonense da geração madrugada. Faleceu no vigor da idade e de sua produção literária. Era conhecido como o poeta do Azul.) Os seus livros mais conhecidos são: "Azul Geral" e "Do Verbo Azul".Boêmio, era uma espécie de Paulo Leminsky da Amazônia).

domingo, 7 de junho de 2009

CANTIGA DE MAR

Uma lua assimetríca
tolhe o ímpeto das marés
e o mar em sua briga
acirrada com a praia
vomita antigos naufrágios.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

AS PALAVRAS

As palavras
quando ditas
com acidez
queimam,
as palavras
quando vergadas
ao peso
das incoerências
ferem,
as palavras
quando protestam
com ardor
são podadas
são caladas
pelo ditador,
mas as palavras
reagem, resistem
ao poder dos déspotas
dos tiranos
ainda que tênues
ainda que mortas.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

RELEMBRANDO OS GÊNIOS



Wladimir Maiakóvski ( foto) é considerado o maior poeta do modernísmo russo. Sobre ele o poeta concretista Haroldo de Campos, escreveu" sua poesia não tem apenas natureza épica, mas apresenta ainda uma apaixonada face lírica, bem como rasgos satírico e crítico- estéticos ( metalinguísticos). Em 28 de dezembro de 1925, num quarto do Hotel Inglaterra, em Lenigrado, Maiakovski suicidou-se com um tiro no peito. Em vida viveu um romance tumultuado com a escritora Lília Brik, mulher de Ossip Brik. Lilia também veio a suiciadar-se me 1978 aos 84 anos. Maiakovski foi um gênio da poesia universal.