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segunda-feira, 22 de junho de 2015

MINHA MÃE E EU ( MINICRÔNICA )


Fixei meus olhos na fotografia de minha mãe. Ao lado, uma mesa posta com duas maçãs e duas laranjas num prato esmaltado completa a natureza realmente morta. Súbito meu coração se abriu para receber uma velha conhecida, a saudade. Segundo o poeta, saudade é uma cicatriz que de vez em quando, percorre os labirintos do coração e do pensamento, reavivando atos e fatos antigos. É o retorno do passado. Neste momento tive um espécie de miragem. Vi minha mãe sentada ao lado de minha cama a acariciar, com suas mãos brancas e divinas, o ar dos meus cabelos. E tudo veio no pensamento. Minha infância vigiada e minha juventude orientada pelos conselhos de Estefânia. Sinto uma imensa falta dessa mulher heroína que enfrentando as adversidades da vida nos rincões perdidos da Amazônia , conseguiu criar nove filhos. Paro de reciclar saudade. Olho pela janela e vejo o verão espalhar calor e vida sobre um canteiro de margaridas e acalentar uma florada de girassóis, enquanto a memória fabrica minhas lagrimas.
Hoje fixei meus olhos na fotografia de minha mãe


domingo, 21 de junho de 2015

POEMA PARA ACORDAR A MANHÃ


( para meu filho Marcelo Augusto)

No fim deste ciclo outonal...
pedirei as horas que saiam
do mutismo numeral
e escalem as escarpas do tempo
e permita que a madrugada

( com a anuência do silêncio dos ventos )
deixe os escombros da noite passada
e prepare a ante.- sala da aurora
para que os pássaros em sinfonia
possam acordar a manhã.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

CANTIGA

Quando a noite chegar de repente
e vier encharcada de sombras
não hesitarei um instante
e com ansiedade e ousadia
irei caçar vagalumes no horto
para alumbrar nosso quarto
de sonhos e fantasias
e então habitarei o teu corpo.

terça-feira, 16 de junho de 2015

A FLOR

Uma flor
se afogou
num mar
de sonhos.

INVENÇÃO DE PARTIDA E DE REGRESSO


  Estes meus olhos são os mesmos que te viram partir
 quando os ventos frios e céleres paraninfavam
 o suicídio de folhas de um bosque solitário
 na manhã álgida e grisalha de outono,
 são os mesmos olhos que junto com os teus
 assistiam todos os dias o sol descambar
 para o ocaso, esmaecido e com gemidos de luz
 e que tantas vezes e se encantaram olhando
 a paisagem inebriante e cálida do teu corpo.
 Estes olhos mergulhavam no oceano do teu olhar
 para impetuosa e liricamente garimpar perolas,
 Um dia, imagino, quando retornares da caminhada
 pelas arestas estafantes do tempo e trazida pelo sol
 de verão ou num bojo azul e noturno de um estrela
 este meus olhos vão ganhar mais luz, com certeza,
 para te receber sem lagrimas e sem tristeza.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

CARTILHA

Na caligrafia de tua cartilha
decifrei o enigma do teu silêncio.