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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

POEMA PARA MULHER AMADA

( para Jude olhando a tarde )
De tua aura candente saem dois sois
que amornam as vértebras da manhã
e derramam luz e calor nestes campos
de margaridas prenúncios de primavera,
de tua boca lubrica caem, em catadupas,
enigmas que tento decifrá-los
sobre os escombros da tarde já matizada
de poente,
da arquitetura geométrica dos teus olhos
saltam duas luas que ferem liricamente
a noite deixando uma cicatriz imensa
de luz no território noturno da cidade,
enquanto tuas mãos, em gestos prontos,
molhadas de orvalho e matizadas de arrebol
esperam a manhã renascer para tecer fiapos de sol.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O SOL DOS TEUS OLHOS


O sol saía da paisagem dos teus olhos e alimentava de luz os labirintos da cidade e a amanhã descansava na plenitude do teu colo morno. O tempo flambava os grãos das horas na circunferência inanimada dos relógios, enquanto pousado na varanda, um pássaro quebrava a vertigem do silêncio com seu canto metálico. Teus cabelos espalhavam cachos reluzentes no ar do instante seminal e tua boca cálida fabricava sorrisos. Tudo... apenas um sonho.

domingo, 29 de janeiro de 2017

QUASE PRELUDIO


Ah, essa chuva caindo e molhando o ventre da tarde, espalha angustia pelos labirintos da cidade.Véspera de noite. Crepúsculo. Os anjos da nostalgia já chegaram, todos, com suas asas de sombras , tisnando calçadas e marquises, onde um sol molhado tenta reaver seu ardor. Nas ínvias esquinas um vento úmido e travesso, borda as fimbrias do tempo e um pássaro em voo de regresso pousa suave na copa de um Ipê, esperando a noite definitiva chegar para o descanso de suas asas. Na parede da casa do silencio um relógio, absolutamente tirano, marca o tempo das idades sem nenhum remorso. Enfim, a noite se apossa definitivamente dos latifúndios da tarde e ninguém convidou a lua para um banquete de luz.

AS TRÊS ESTAÇÕES DO DIA


Manhã pejada de pássaros
em revoada, sem alardes,
o tempo constrói um céu azul
de vez em quando
emoldurado de brancas nuvens,
enquanto o sol mija nos pés da cidade.
A tarde colhe flores
num campo de margaridas, sem fim,
brisas fugidias de um rebanho de ventos
suavizam com sopro frios os jardins.
Chega a noite e derrama
falanges de sombras
pelos labirintos e ruas
e a lua chega mais tarde
e plasma uma imensa
cicatriz de luz
no ventre da cidade.
.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

OCASO EM BELÉM

O pássaro pousa suave
num vinco da tarde,
o sol derrama seus poentes
sobre os telhados dos antigos
casarios
lá para os lados do Ver-o-peso
o rio castiga e lambe a ribeira
enquanto a cálida Belém.
vibra e respira a clorofila
de suas decanas mangueiras

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

CONTRARIANDO MANUEL BANDEIRA

.
Vou embora para Pasárgada,
mesmo não sendo amigo do rei.
Lá não precisarei de namorada,
pois levo daqui minha amada
que cheira a jasmim
e tem nos cabelos a rosa de verão.
Levarei comigo os adubos de minha alma
para ao lado de um campo de margaridas,
construir e fertilizar uma lavoura onde
semearei auroras e colherei sonhos.

domingo, 13 de novembro de 2016

PEQUENA PROSA POÉTICA DE PARTIDA


Quando partiste numa tarde grisalha de outono, levaste contigo tua pele onde, em noites de luas e estrelas, o meu silêncio pastava livremente. Na memória levaste a caligrafia de minhas mãos na superfície cálida e túmida dos teus seios e um breve poema tatuado na planície de tuas coxas. Guardo ainda, no meu coração, entre sístoles e diástoles, as cavalgadas que empreendemos pelas noites de amor tórrido sem restrições e pecados. Tudo isso levaste. E deixaste finalmente, em mim. um coração sangrando.