sexta-feira, 29 de junho de 2018

DE SOMBRAS E TEMPO


Essas sombras margeando
as trilhas dessas galaxias subterrâneas,
as horas limando as moléculas do tempo
deprimem o instante seminal
enquanto a vida coleciona abismos.
Mas nem tudo é angustia e aflição
nem tudo está perdido
ainda há um tênue cintilo de sol
na senda escura da solidão.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

VESTÍGIOS I

Os ventos trazem vestígios
de tua presença na rua
salpicada de sol,
enquanto a tarde prenhe
de pássaros e cantos
desperta o sono dos jardins.
.

sábado, 9 de junho de 2018

TRÊS INSTANTES, A AMADA E O POEMA


Nesta manhã de sol mineral
gestada de uma vértebra
do tempo,
ventos atrevidos se revoltam
na ribeira
e agitam as águas deste mar sem fim
enquanto um beija-flor viril tenta polinizar
velhas roseiras
na solidão floral deste jardim.
E chega a tarde de sol, cerebral,
e me invento em asas
e como pássaro de sonho tento voar
com a intenção de pousar
na paisagem idílica do teu olhar.
E então, chega a noite insone e numeral
trazendo sombras invasoras e degastadas
e então, vou à lavoura de luares
e colheito falanges de luas
para iluminar o sono da mulher amada.

A NAMORADA

Minha primeira namorada
tinha nos olhos centelhas
de sol
e suas mãos divinamente brancas
exalavam olor de rosas silvestres
no corpo de Venus
ardiam lavas vulcânicas
e na boca lubrica um jeito
meigo de dizer: te dou.

PEQUENO POEMA, QUASE NOTURNO

Antes que a noite chegue
com suas colmeias de sombras
e tisne de negror às ruas
preciso urgente do brilho
dos teus olhos claros
para acender o lume da lua.

PARA JUDE

Ah, esses campos matinais onde os nossos
pés de sol caminham,
são férteis,
há giro de girassóis e canteiros de margaridas
efluviando o ar do instante seminal,
e neste momento
desejaria possuir mãos mágicas
para acender todas às manhãs
o brilho dos teus olhos.

terça-feira, 8 de maio de 2018

CANTO DAS ESTAÇÕES


De repente o verão caiu em mim e sobre a cidade e foi logo aquecendo minhas velhas e frias vértebras com seu calor intenso. Acendeu sombrios jardins antigos com sua claridade e consagrou o sol por todos os dias do meu tempo. E, então, o outono chegou e pintou em cores às arvores destes bosques sequiosos de luz ,quietude e matizou as fimbrias dos ocasos esquecidos, mas infelizmente paraninfou holocausto de folhas do arvoredo defronte à praça atapetada de musgo e liquens. Então chegou o inverno com suas manhãs e tardes cinzentas e molhadas e só encontrei sol na lirica paisagem nos olhos da mulher amada. Mas quando a primavera chegou com suas carruagens de flores o vale se coloriu,perfumou as ravinas e germinou um campo de margaridas. E a vida se renovou no canto das estações.

DE SOMBRAS E TEMPO

Essas sombras margeando as trilhas dessas galaxias subterrâneas, as horas limando as moléculas do tempo deprimem o instante seminal enqua...