Páginas

sexta-feira, 12 de maio de 2017

MAMÃE

Hoje, mãe, gostaria que aqui estivesse fisicamente neste dia consagrado ás mães, mas sei que estais presente entre nós, espiritualmente. Naquela tarde cinzenta de verão não pude reafirmar o amor que sentia e ainda sinto por ti, posto que quando cheguei em tua casa as Walquirias já tinham te conduzido aos paramos celestes, onde o sol nunca se põe e a primavera é eterna. Mas trago a saudade de tuas mãos cálidas, teu sorriso litoral e tuas canções de ninar, nos escaninhos do meu coração, entre sístole e diástole. Um dia, acredito, que nos reencontraremos no bojo de alguma lua amanhecida e pedirei contrito:- A sua benção, minha mãe!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

POEMA PARA MULHER AMADA

( para Jude olhando a tarde )
De tua aura candente saem dois sois
que amornam as vértebras da manhã
e derramam luz e calor nestes campos
de margaridas prenúncios de primavera,
de tua boca lubrica caem, em catadupas,
enigmas que tento decifrá-los
sobre os escombros da tarde já matizada
de poente,
da arquitetura geométrica dos teus olhos
saltam duas luas que ferem liricamente
a noite deixando uma cicatriz imensa
de luz no território noturno da cidade,
enquanto tuas mãos, em gestos prontos,
molhadas de orvalho e matizadas de arrebol
esperam a manhã renascer para tecer fiapos de sol.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O SOL DOS TEUS OLHOS


O sol saía da paisagem dos teus olhos e alimentava de luz os labirintos da cidade e a amanhã descansava na plenitude do teu colo morno. O tempo flambava os grãos das horas na circunferência inanimada dos relógios, enquanto pousado na varanda, um pássaro quebrava a vertigem do silêncio com seu canto metálico. Teus cabelos espalhavam cachos reluzentes no ar do instante seminal e tua boca cálida fabricava sorrisos. Tudo... apenas um sonho.

domingo, 29 de janeiro de 2017

QUASE PRELUDIO


Ah, essa chuva caindo e molhando o ventre da tarde, espalha angustia pelos labirintos da cidade.Véspera de noite. Crepúsculo. Os anjos da nostalgia já chegaram, todos, com suas asas de sombras , tisnando calçadas e marquises, onde um sol molhado tenta reaver seu ardor. Nas ínvias esquinas um vento úmido e travesso, borda as fimbrias do tempo e um pássaro em voo de regresso pousa suave na copa de um Ipê, esperando a noite definitiva chegar para o descanso de suas asas. Na parede da casa do silencio um relógio, absolutamente tirano, marca o tempo das idades sem nenhum remorso. Enfim, a noite se apossa definitivamente dos latifúndios da tarde e ninguém convidou a lua para um banquete de luz.

AS TRÊS ESTAÇÕES DO DIA


Manhã pejada de pássaros
em revoada, sem alardes,
o tempo constrói um céu azul
de vez em quando
emoldurado de brancas nuvens,
enquanto o sol mija nos pés da cidade.
A tarde colhe flores
num campo de margaridas, sem fim,
brisas fugidias de um rebanho de ventos
suavizam com sopro frios os jardins.
Chega a noite e derrama
falanges de sombras
pelos labirintos e ruas
e a lua chega mais tarde
e plasma uma imensa
cicatriz de luz
no ventre da cidade.
.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

OCASO EM BELÉM

O pássaro pousa suave
num vinco da tarde,
o sol derrama seus poentes
sobre os telhados dos antigos
casarios
lá para os lados do Ver-o-peso
o rio castiga e lambe a ribeira
enquanto a cálida Belém.
vibra e respira a clorofila
de suas decanas mangueiras

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

CONTRARIANDO MANUEL BANDEIRA

.
Vou embora para Pasárgada,
mesmo não sendo amigo do rei.
Lá não precisarei de namorada,
pois levo daqui minha amada
que cheira a jasmim
e tem nos cabelos a rosa de verão.
Levarei comigo os adubos de minha alma
para ao lado de um campo de margaridas,
construir e fertilizar uma lavoura onde
semearei auroras e colherei sonhos.