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CANTO DAS ESTAÇÕES

De repente o verão caiu em mim e sobre a cidade e foi logo aquecendo minhas velhas e frias vértebras com seu calor intenso. Acendeu sombrios jardins antigos com sua claridade e consagrou o sol por todos os dias do meu tempo. E, então, o outono chegou e pintou em cores às arvores destes bosques sequiosos de luz ,quietude e matizou as fimbrias dos ocasos esquecidos, mas infelizmente paraninfou holocausto de folhas do arvoredo defronte à praça atapetada de musgo e liquens. Então chegou o inverno com suas manhãs e tardes cinzentas e molhadas e só encontrei sol na lirica paisagem nos olhos da mulher amada. Mas quando a primavera chegou com suas carruagens de flores o vale se coloriu,perfumou as ravinas e germinou um campo de margaridas. E a vida se renovou no canto das estações.
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DIA DAS MÃES

Na primeira vez que te vi senti, nos desvãos de minha alma, que serias uma grande mãe. E não me enganei. Durante todo esse tempo, mais de quatro décadas, que andamos pelos caminhos da vida, atravessando, rios, lagos e mares, escalando montanhas, pisando em cardos e urzes, tens sido, Judite, a força que nos tem alimentados de animo para vencer as contendas neste mundo pantanoso, onde os tentáculos do mais cruel e mais desumano materialismo tentam, todos os dias, nos abarcar. Tens sido,amor, a bussola que nos tem norteados em todos os momentos da vida. Eu sou grato a ti e meus filhos e netos também.Tens inspirado, com teus gestos prontos, a poesia deste pobre poeta, garimpeiro de luas e luares e contra-mestre dos sonhos. Feliz Dias das Mães, Judite!!!

DIA DAS MÃES

Mães não têm dias. Todos os dias são dias de mães. Ao menos para mim. Todos os dias me lembro de minha mãe, dos seus gestos contidos e de sua larga sabedoria de vida, de seus conselhos e principalmente de suas mãos. As mãos de minha mãe era divinas, sentia toda maciez delas quando alisava o ar dos meus cabelos. Mulher altiva que enfrentou toda sorte de adversidades vivendo em lugares inóspitos dessa Amazônia bela e agressiva. Sendo uma mulher branca e carregada de amor pelo meu pai, um homem negro, esbofeteou a cara dos preconceituosos e amou muito meu pai. Uma tarde de junho, já quase crepúsculo, chegaram em nossa casa, dois anjos e nos disseram: Sentimos muito, mas Deus precisa dela! E a levaram aos ares celestes. Hoje ela é agricultora. Semeia amor e colhe ternuras nas lavouras divinas dos campos sagrados do Senhor. Mesmo sabendo que este dia foi inventado pelo mercantilismo ganancioso, Feliz Dia das Mães, ESTEFÂNIA!!!

UM ANO SEM O LIRISMO DE BELCHIOR

Saio do meu casulo de silêncio para prantear o poeta Belchior que nesta manhã, foi levado pelas Walquirias e cavalgou com elas pelas pradarias do Nunca Mais, em busca dos eternos arrebóis. Poeta da musica, sobretudo, poeta da vida que a cantou com muita inspiração. Nunca mais veremos essa figura emblemática da musica dedilhar as cordas liricas de seu violão e construir canções que nos consolavam dos rigores do tempo e da vida. O cancioneiro nacional ficou um pouco pobre, Belchior está morto. Vivas estão suas canções lapidares cheias de palavras intensas e frases abissais. O poeta está morto. Nunca mais verá, com seu olhos de poemas, "as velas do Mucurípe saírem para pescar". Não mais será o mar de Copacabana e nem abrirá os braços no Corcovado. Não mais será "um rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior". Agora ungido em silêncio restará, apenas a memória e as canções que criou como ligação eterna entre o homem e a e…

HÁ UM CENTAURO NA VARANDA

A tarde caminhava célere para os domínios da noite, mas, mesmo assim, réstias de sol ainda pousavam tenuemente sobre os telhados das velhas casas circundantes à praça, neste momento deserta. Pássaros em voos lestos retornavam aos seus ninhos nas copas do tamarindos. Olhei para a varanda e tive um susto do tamanho do meu medo. Ao lado direito da varanda um enorme centauro descansava. De suas patas encardidas saltavam fogo e seus olhos de homo – equino me pareciam tristes. Na altura do tórax via-se diversos ferimentos. Depois de observar aquela figura fantástica perguntei:
- Quem és tu e de onde vens? E ele respondeu:
- Desculpe de usar sua varanda para descanso. Como a noite vem chegando resolvi parar aqui para descansar e passar a noite e observar as estrelas. Nós centauros amamos as estrelas. Venho das montanhas da Tessália, na Grécia, onde nasci. Cavalguei séculos para chegar até aqui. Sou filho de Íxion e Nefele. Essas marcas que você vê no meu corpo é resultado da luta que empreende…

POEMA II

Me sirvo da manhã
para catar fiapos de sol
na grama do parque
me sirvo da chuva
para lavar meus pecados
me sirvo das tintas do arco-íris
para pintar as cores do arrebol
me sirvo da tarde
para colher nuvens
no céu acetinado
me sirvo da noite
para dormir meus sonhos
e devaneios]
por fim me sirvo do silêncio
nas horas caladas
para me inebriar
com a arquitetura lubrica
dos seios da mulher amada.

VENERAÇÃO

E quando a tarde findar
colocarei, se puder, 
um por do sol
na serena dimensão
do teu olhar.