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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O ÚTERO

O útero é a lavoura arada e fertilizada onde se planta a semente da vida.

O SILÊNCIO

Saindo de seu casulo abstrato
o silêncio perfurou os tecidos
da noite e veio conversar comigo
na solidão  numeral e atroz
do velho alpendre.
Ás vêzes o silêncio
fala mais alto
do que a mais alta voz.

INSTÂNTANEO

Enquanto o sol se despedia
da tarde,
o mar (em sua gangôrra
de ondas)
namorava a praia.

OCULTAÇÃO

Hoje não haverá poemas
declamados e nem poemas
a serem escritos,
o silêncio ocultou
todas as palavras.

MINHA MÃE

No dia que minha mãe morreu
um silêncio pétreo e irritante
calou as palavras no labirinto
de minha garganta e não pude
mais falar e nem gritar,
uma brisa febril varreu meus olhos
e lambeu minhas lagrimas
e não pude mais chorar.
Do outro lado da porta envelhecida
a solidão da vida
e a verdade do mundo nua e crua
me espreitavam num canto de rua.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

EU QUERIA...

...plantar vestígios de sol
na última lavoura de inverno
e deixar que a canção dos pássaros
embale suas cópulas aéreas.

SAUDADES...

...das viagens silentes
pela morna enseada
do teu ventre.

FOG

Meu hálito
na vidraça
lembra
o fog londrino.

O RELÓGIO

O relógio vomita
o sal
das horas.

SEM OUVIR JUDITE

Nesta tarde em véspera
de ocaso
não te posso ouvir, Judite,
estou acorrentado
á velhos silêncios.

EXERCÍCIO PARA PARDAL

Choro de nuvens
molhou a cidade.
Trazendo  no bico
fiapos de sol
um pardal solitário
enxugou a tarde.

PECADOS

Estendi minha alma no varal
a espera da chuva
para lavar meus pecados
mas ela não veio,
apenas o sol apareceu
tentando quarar
pecados não lavados.

O ÚTERO

O útero
é o esconderijo
da vida.

PARÁBOLA

A vida são estes caminhos
as vêzes tortuosos as vêzes retos
imbricados
empedrados
invisos
imprecisos
que palmilhamos
pelas tundras do mundo
e a morte é o nada
multiplicado pelo tudo.

OPUS DO VERÃO

Agosto,
verão presente
com seus rigores
nos jardins da cidade
a febre do sol
provoca holocausto
de flores.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O POETA

O poeta assemelha-se a um pintor
que plasma com cores e sentimentos
a pele abstrata das manhãs.
.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

FAVELAS

Além, muito além dos jardins
longe, muito longe da opulência
da Avenida Paulista
nos escombros insalubres
da periferia amarga e malvista
as favelas
vomitam
suas mazelas.