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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

PINTURA ACRILICA


Na sala vazia
o tempo veste de silêncio
as horas
e a flauta dos pássaros
expulsa a solidão
do alpendre.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

LIÇÃO DE NYDIA BONETTI


As palavras fragmentadas
( leves e incisivas)
se agrupam na linguagem
castiça dos versos
que se transformam em sementes
de emoção e voragem
na lavoura do cotidiano,
tercetos debulham espigas de haicais
na varanda de sonhos do poema
onde pássaros em gorjeios
vêm beber gotas de sol
na concha inconsútil das manhãs.

domingo, 19 de dezembro de 2010

UIVO


Uivo na noite veloz
como um lobo faminto.
Pejado de rugas e insônias
meu rosto luta feroz
contra a intolerância do tempo
que solapa minha arquitetrura
corporal.
Silente a noite abre seu casulo
de sombras
e o orvalho molha o silencio
das ruas,
apenas um rebanho de estrelas
ilumina as trevas do meu abísmo.

sábado, 18 de dezembro de 2010

MEMÓRIA

As cicatrizes do meu passado
estão incrustadas nas paredes frias
e pétreas desta velha casa,
longos corredores guardam ainda
passos de um tempo quase esquecido.
Nos quartos gastos de solidão
memórias pueris volateiam
no ar da infância distante,
na varanda sombria vultos
miragens de mim mesmo
parecem coalhar as horas
no instante crepuscular,
uma nevoa fria
embaçam meus olhos
e vejo como num sonho
na mesa posta de antigas refeições
fantasmas dos meus mortos
assentarem e comer
o alimento de seus silêncios