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terça-feira, 26 de junho de 2012

OLHANDO O TEJO

No céu de agosto
gaivotas tingidas de sol
galopam (acrobáticas) os ventos da tarde.
O silêncio surge das escamas do rio
deste rio fatigado de antigas viagens
e de náuseas de velhos marujos
( argonautas de procelas e temporais)
enquanto águas flúvias lambem
as ferrugens do cais.

Cais do Sodré/agosto de 2011.

domingo, 24 de junho de 2012

FRAGMENTOS DO OUTONO

Um sol pálido e morno
na tarde fria e nublada
bosques em abandono
ventos coléricos e frios
agitam arvores desfolhadas,
enquanto pardais distraídos
bicam as sombras do outono.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

POEMA PARA MANUEL DE BARROS

Gaivotas banhadas de sol
não grafitam as areias da praia
e o menino descobriu
que o céu não tem fundo
e que as horas são os graus
da vida.

sábado, 16 de junho de 2012

ELEGIA PARA O IRMÃO MORTO

Agora, irmão, que os cristais dos teus olhos
se partiram,
agora que o sol com suas asas de fogo
crestou as flores do teu jardim de inverno,
agora que o silêncio encalhou na enseada
de tua garganta,
agora que as sombras da noite apagaram
teus sonhos veste a túnica inconsutil
dos anjos e assume o comando de tua barca
de brumas e veleja pelos mares castos
do imponderável em buscas de infinitas
manhãs
e que tua palavra agora muda continue a ecoar
nos labirintos de nossa eterna memória.

domingo, 10 de junho de 2012

POEMA

Os ventos trazem vestígios
de tua presença na rua
salpicada de sol,
enquanto a tarde prenhe
de pássaros e cantos
desperta o sono dos jardins.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O ALPENDRE

Bruni os anos da infância
restaram apenas sombras opacas
daquilo que nunca fui
e esse alpendre decrépito,
(com a cal despregando-se do teto)
onde meus mortos se assentam
para mascar contritos
a erva do esquecimento.