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quarta-feira, 11 de março de 2009

AO SUL DA RESSACA

E mais uma vez chega a noite. Misteriosa. Densa. Escorregadia. E mais uma vez a solidão ataca. Fere. Marca. Enche este quarto onde rumino as minhas palpitações e os meus desencantos. Na boca o gosto amargo da cerveja de ontem me dá a plena certeza de que estou ao sul de minha ressaca. Estou fragmentado em angústias. Nem as canções românticas jogadas ao ar da noite fria pela voz do seresteiro lá na esquina consegue mudar meu estado de espírito. Neste instante, penso em Judite. Ah, Judite-poesia, Judite-passáro azul da minha existência.
Se estivesse em casa, agora, eu não estaria chorando agruras. Estaria bebendo seus lábios num beijo lúbrico, apaixonado e sairia do nada para o delírio. Estou ao sul da minha ressaca e Judite não me aparece. Que saudade de Judite. Do jeito de Judite, das pernas de Judite. Judite é o epicentro do meu terremoto emocional. Os seios de Judite tem cheiro de frutas de Itacoatiara. Faz tempo que Judite foi embora, deixando-me neste estado depressivo. Por onde andas Judite? Que caminho tomaste na tessitura do tempo?

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