terça-feira, 30 de abril de 2019

DOIS ANOS SEM O LIRISMO DE BELCHIOR


Saio do meu casulo de silêncio para prantear o poeta Belchior que nesta manhã, foi levado pelas Walquirias e cavalgou com elas pelas pradarias do Nunca Mais, em busca dos eternos arrebóis. Poeta da musica, sobretudo, poeta da vida que a cantou com muita inspiração. Nunca mais veremos essa figura emblemática da musica dedilhar as cordas liricas de seu violão e construir canções que nos consolavam dos rigores do tempo e da vida. O cancioneiro nacional ficou um pouco pobre, Belchior está morto. Vivas estão suas canções lapidares cheias de palavras intensas e frases abissais. O poeta está morto. Nunca mais verá, com seu olhos de poemas, "as velas do Mucurípe saírem para pescar". Não mais será o mar de Copacabana e nem abrirá os braços no Corcovado. Não mais será "um rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior". Agora ungido em silêncio restará, apenas a memória e as canções que criou como ligação eterna entre o homem e a eternidade. Vá com Deus, poeta. O poeta está morto. Viva o poeta!!!!!!!
( Texto escrito quando do rito de passagem do menestrel em 30/04/2017 

OPUS DA MANHÃ

Quando sol começava a semear incêndios nas solas do horizonte desprovido, ainda de nuvens, um pássaro em tom sustenido apressa o canto para inaugurar os alicerces do dia e tuas mãos,amor, em tear de sonhos, fia os fios da luz solar para aclarar o ventre das ruas ainda sombrias nas bordas do outono, enquanto um folha verde sacia sua sede com gotas do orvalho da manhã renascida dos escombros da noite. Opus da manhã, o sol, enfim, incendiou o dia.

terça-feira, 23 de abril de 2019

AS SETES LUAS


Quando as sete luas passarem
e o tempo mostrar a rota da primavera,
colherei flores no campo para te oferecer
catarei fiapos de sol para amornar
às minhas mãos em gestos de espera
e mostrarei o melhor sorriso
para ávido, ansioso te receber
no mesmo alpendre que um dia te viu
partir com chispas de estrelas nas mãos.
Tua distancia e ausência me incorrem
em ânsias e angustias numerais,
mas tudo isso, amiga vai findar
com vestígios de tua chegada
pois " sete luas passam rápidas demais ".

sábado, 20 de abril de 2019

CANTO I

O tempo deletou a tarde.
A noite abriu seus abismos de sombras
para encobrir seus desastres, 
um vento desgarrado de seu rebanho
espatifou-se sobre a janela da antiga 
casa em desconstrução.
Tentei varrer a soma dos meus pecados
para debaixo do tapete
mas o remorso alter-ego de minhas culpas
não deixou quando a noite já tinha
engolido as vísceras do dia,
e então, tive que sair do poema.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

OCASO

O tempo gera ocaso
( sem alarde)
no útero da tarde.

A CASA

A casa é velha. Muito velha, No telhado o tempo plantou musgo e líquens, na fachada os anos desconstruiu sua arquitetura. Em suas laterais o capim- navalha escondeu seu jardim em ruínas. Um muro em decomposição albergado por dois portões de ferro inteiramente oxidados cercam sua entrada. Olhei a casa ou o que restou dela com os olhos cheios de lágrimas. Então perguntei ao homem idoso relaxado na cadeira de embalo, pitando um cigarro confeccionado com fumo de rolo. O sr. sabe que eram os donos deste imóvel? E o velho respondeu - Já faz muito tempo. Quase não me lembro das pessoas que ai moravam. Só lembro de um menino negro de nome Julio que morava nesta casa. Curioso perguntei: - E agora o que há no interior desta casa arruinada? E o velho me respondeu: - Moço, só memórias. Memórias.

terça-feira, 16 de abril de 2019

CAMINHADA


Vamos, amiga, caminhar por essas sendas desconhecidas. Não temas a escuridão, trago comigo uma lua de bolso para guiar nossos passos no chão e a noite, amiga, envelheceu sobre os seus próprios desastres e os sátiros guardiães de suas sombras também envelheceram sobre os escombros do tempo. No fim da caminhada, amiga, o sol renascerá sobre um campo de margaridas e beberemos um pouco de orvalho na concha policrômica da manhã. Vamos, amiga, continuar a caminhada e que no fim da jornada, do outro lado do tempo, um novo horizonte nos espera

domingo, 14 de abril de 2019

ME SIRVO

Me sirvo da manhã
para catar fiapos de sol
na grama do parque
me sirvo da chuva
para lavar meus pecados
me sirvo das tintas do arco-íris
para pintar as cores do arrebol
me sirvo da tarde
para colher nuvens
no céu acetinado
me sirvo da noite
para dormir meus sonhos
e devaneios]
por fim me sirvo do silêncio
nas horas caladas
para me inebriar
com a arquitetura lubrica
dos seios da mulher amada.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

POÉTICA II

De manhã colho orvalho
nos jardins da ruas
para molhar teus cabelos
de tarde roubo canto
dos pássaros para ninar tua sesta
e de noite pinto teus cílios
com a prata da lua.

PÁSSAROS

Ontem na clara manhã de julho vi casais de alegres  sanhaços bebendo sol nas grades do meu terraço.