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sexta-feira, 9 de julho de 2010

POEMA


Teu corpo deitado na cama
(tepidamente nu )
parecia uma pintura de Degas,
pela fresta da janela
o sol de outono cobria
com fiapos de ouro teu corpo
e os teus olhos eram como
dois lagos mansos após a chuva.
As palavras caiam de tua boca
como semen ejaculados
e entre tuas pernas de Vênus
latejavam vulcões,
em extase minha voz
perdeu-se nos labirintos
da garganta e emudeceu
enquanto tuas mãos cálidas
e suadas bruniam meu sexo.

terça-feira, 6 de julho de 2010

POEMA PARA ROBERTO PIVA NO AZUL


Na mesa restos de poemas
palavras partidas ao meio
a solidão do instante seminal
refletida no alpendre da noite
o relógio parado na circunferência
do tempo ácido,
a voz embargada na garganta
e o poeta de olhos cerrados
salta sobre o dorso de seu cavalo
de brumas e cavalga sereno e imponente
em busca de infinitas manhãs
e a colher rosas olentes dos jardins
da gleba dos ausentes.

( o poeta Roberto Piva( foto) faleceu ontem em São Paulo)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ARQUIPÉLAGO DO SILÊNCIO

Existe na casa de minha infância
ilhas de mudez e lembranças
(arquipélago do silêncio)
que me conduzem á lavoura da memória.
Revisito-a. Na sala de jantar ainda sinto
o cheiro doce de meu pai na oração
contrita á hora da ceia de Natal,
da solidão da cozinha vem o aroma
do café vesperal de minha mãe,
suspensos no ar dos quartos vazios
esqueletos de sonhos e saudades
me acenam,
e no velho quintal , ainda de pé,
imponente e viçoso o velho cajueiro
sobrevivente dos temporais da vida
ele que era a plataforma de lançamentos
de minhas viagens interplanetárias,
enquanto lá fora antigos fantasmas
do meu passado, embriagados de silêncio,
capinam sombras no alpendre.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

POESIA MARGINAL

POEMA


Rebanhos de pesadas nuvens
pastam apressadas no claro
céu de agosto.
Nós dois abraçados neste jardim
e minhas mãos sêcas de suor
libidinando teus roséos seios
no fogo intenso do verão.
E a luz é o sol
que penetra nas vias do corpo
caloriza os ossos
e revigora o libido.