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domingo, 27 de junho de 2010

INTRODUÇÃO AO PASSADO( para o poeta Sandro Nine)

Na velha cadeira de embalo
o olhar fixado na parede
onde degastada se postava
a fotografia dos mortos,
olhou pela vidraça quase
embaçada e viu a tarde
caminhar para os mistérios
da noite vindo do rio,
e neste instante sentiu
a saudade doer-lhe nos ossos
e subitamente surgiu no pasto
da memória rebanhos
de antigos remorsos.

terça-feira, 15 de junho de 2010

TERRITÓRIO DA INSÔNIA

Os vestígios de tua ansiada presença
vão se dissipando lentamente no ar
deste quarto de solitude e vácuo,
apenas a tênue luz do abajur (que não é lilás)
ilumina tua já esmaecida fotografia pousada
na superficie encardida do criado-mudo.
No chão de memória da sala
restos de ilusões perdidas
se dispersam com o passar dos dias
e, eu, ( ser vertical e amargo)
vadeando o território da insônia
observo as horas gastarem as engrenagens
do tempo,
na inanimada circunferência do relógio
postado na velha parede de taipa.
Dissimulada a noite, em fuga,
não esperou para ver meus olhos
vermelhos e difusos pelo sal das lagrimas.