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domingo, 31 de maio de 2009

CAPITALÍSMO SELVAGEM

Aos ricos, aos poderosos
( que se banqueteiam com o suor
e sangue dos trabalhadores) tudo
as fímbrias do céu
e o lucro desmedido,
aos pobres, aos miseráveis
da sorte a sarjeta
o gueto poluído,
o sono nas calçadas frias
das cidades no inverno,
a esses párias da sorte
ás raias do inferno.

Defendendo a ecologia
os rícos temem
que a flatulência
dos mendigos
possa esburacar
a camada de ozônio.

sábado, 30 de maio de 2009

CÍRIOS ARDENTES

Os olhos da morte espiando,
a voz embargada na prece
contrita. Os olhos rubros
inflados pelo sal das lagrímas
crianças correndo pela sala
inventando artes lúdicas
de vida.
Os olhos da morte espiando,
um coral de beatas entoa
a reza comovente
e minha mãe inerte
entre os círios ardentes.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

RELEMBRANDO OS GÊNIOS


Charles Bukowski foi um genial escritor e poeta que apesar de ter nascido na Alemanha, e chegando a Estados Unidos da América com apenas 3 anos de idade, é considerado um intelectual de grande nomeada no cenário da literatura americana. Alguem escreveu: " Como a prosa, cada poema de Charles Bukowski corta como navalha. Ele expõe as vísceras da realidade, revolve o cotidiano, e, de onde nem se pensa que sairá um poema, brotam versos de pura genialidade". Na foto ele exibe sua máquina de escrever com a qual escreveu a maior parte de sua obra prolífica.
Sobre Bukowski, o pensador francês Jean-Paul Sartre, o pai do Existencialísmo, disse: " O maior poeta da América". Publicou entre outras obras: "O Amor é um cão dos diabos","Crônica de Um Amor Louco","Nota de um Velho Safado","Factotum","Fabulário Geral do Delirio do Cotidiano","Hollywood", Numa Fria" e "Pulp". Bukowski foi um gênio da literartura mundial. Faleceu as 73 anos, na Califórnia. Era considerado escritor e poeta Beatnick.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

POEMA EM TOM DE SAUDADE PARA O ÍBIS BAR

A notícia me alcançou
como uma avalanche
soterrando meu estado de animo:
-O Íbis Bar fechou ás portas!
Súbito uma angústia numeral
percorreu as latitudes
do meu corpo gordo e amargo,
lá se foram anos e anos
de embriaguês poética
de discursos etílico-filosóficos
de delírios existencialistas
e de debates surrealistas
infindáveis.
O Íbis usinava prosa, verso e vidas,
foi em seu recinto nostálgico
entre a fumaça espiralada
dos cigarros ardentes
e o cheiro acre da cerveja
amanhecida,
que assisti os primeiros afagos
do romance entre o poeta
Roberval Vieira e a bela Dóris
( a morena dos olhos de ciúme),
em cima de suas mesas encardidas
ouvi alguem recitar um poema
de Jorge Tufic que dizia ser
"o bar o lar da vida".
O Íbis Bar fechou ás portas
mas ficará plasmado no ar
de sua memória
minhas palpitações
meus desencantos
meus amores tempestivos
e as madrugadas insones
( pedaços de mim)
como lembrança de um tempo
que vivi.
O Íbis neste instante é saudade,
e eu que já sou orfão de pai e mãe
agora sou, também, orfão de bar.

( Eu estava na Praia do Futuro em Fortaleza, quando o poeta Roberval Vieira me telefonou dando-me a notícia do Íbis, o bar que frequentavamos em nossa juventude e até recentemente. Depois de 40 anos de atividade boemia o Íbis não suportou a ambição e as investidas imobiliárias).

INSTÂNTANEO DE VIAGEM


(O poeta e amada as margens do Rio Sena em Paris,França, próximo a estação de barcos de passeios)

domingo, 24 de maio de 2009

POEMA QUASE MANIFESTO

Declaro para fins ecológicos
que não sou eu
que devassa os campos
os trigais silvestres
e os arvoredos,
que não sou eu
que anuvia os céus
com as raspas
e fuligens de aço
envenenando pulmões
nas axilas
das cidades sofridas,
que não sou eu
que joga bosta nos rios
e olea onda dos mares
sufocando peixes
e esfomeando vidas,
não sou eu que constroi
essas desgraças tamanhas,
são eles os agentes iníquos
do capitalísmo irresponsável
que eivados de ganância
e ambição desmedida
provocam as dores do mundo.

( na Amazônia os grandes pecuaristas colocam a mata no chão, toldam os rios e os pequenos agricultores são responsabilizados por essas ações. O poeta Roberval Vieira perguntou-me se eu fosse um pequeno agricultor o que eu diria sobre essa situação e, então, fiz esse desabafo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

ENCONTRO DE ESCRITORES BEATS






A foto mostra um encontro de poetas e escritores beatnicks. Nela aparecem. David Anram, Jack Kerouac, Gregory Corso, Larry Rivers e Allen Ginsberg. O encontro ocorreu no Bowery Poetry Club, na Brata Art Gallery, em New York, em outubro de 1957, 52 anos atrás.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

AJURICABA

Força e porte
guerreiro éreo
fé e contrição
não teme a morte
nem a traição
amor á terra
invade o peito
luta renhida
amor e liberdade
amor a vida
guerreiro de voz
preferiu a morte
do que servi o algoz.

( Ajuricaba é o indio heroi do Amazonas, simboliza o amor pela terra e pela liberdade. Aprendemos com seu exemplo a amar a nossa terra e a Amazônia brasileira. Preso pelos portugueses, o guerreiro que lutava pela libertação de seu povo, preferiu atirasse nas
aguas do Rio Negro do que ficar cativo. Ajuricaba representa a força e o amor dos amazonenses pela terra, pela flora e fauna exuberante da Amazonia.)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

AS MULHERES DO ZUMBI II

As mulheres do Zumbi II
são fortes e corajosas
e quando fazem amor
abrem as pernas ternamente
e trepam mesmo em chão
de barro e na frieza
dos barracos soturnos
e não tem menos orgasmos
do que as granfinas
da Ponta Negra
que fazem amor
com a conivência
de fronhas e lençóis
importados.
As mulheres do Zumbi II
são doces e belas.

( este poema foi construido quando o bairro do Zumbí II era apenas uma invasão desordenada, barracos no chão de barro formavam um aglomerado. Hoje é um bairro comercial de grande desenvolvimento. E este poema foi dedicado ao poeta cearense Costa Matos)

terça-feira, 19 de maio de 2009

RELEMBRANDO OS GÊNIOS



Morreu esta semana o poeta uruguaio Mario Benedetti ( foto), uma das vozes mais sensatas da poesia hispânica e mundial. Sua poesia é comprometida com o social. Mario escreveu mais 80 livros e seu último livro foi "Testigo de uno mismo". Sua obra também reflete o sentimento da América Latina. Apagou-se mais uma estrela no cenário da poesia universal: morreu Mario Benedetti. Ele era um gênio da poesia, também do conto e do romance.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

TOCATA VESPERAL PARA OS OLHOS DE FOLHA MINHA

Cintia Thomé a linguagem poética
fluindo sobre o dorso da tarde,
a palavra nua e crua arquiteta
fugas no areado do mar
a emoção coletando ventos
para impulsionar ondas
deste mar sem véspera
e suavizar a praia de musgos
e crustáceos.
Cintia Thomé o verso maleável
pari uma lua vermelha
numa noite em que o tempo
( verdugo de todos nós)
faz oferendas aos olhos
de folha minha.
Cintia Thomé o sonho do filho
abortado numa esquina da vida
evoca prece e resignação:
Rudy com asas de aurora
voa entre as fímbrias das nuvens
em busca de outros infinitos.
Cintia Thomé o poema completo
se esparrama sobre o ar das manhãs
de pássaros e de cantos,

Cintia Thomé poema e vida...

( Depois de reler o livro" Olhos de Folha Minha", da grande poeta contemporanêa Cintia Thomé que o Estado de São Paulo pariu para o Brasil e para o mundo.)

A VIAGEM

Colocarei os pés na estrada
evocarei o espírito de Kerouac
para me acompanhar
caminharei sem rumo
apagando o brilho do sol
acendendo o lume da lua,
tropeçarei em cardos
pisarei em urzes
comerei o pão que a vida
amassou
até romper os grilhões
da madrugada
e desperte à amada
que me encontrará
na caminhada
(linda e sorridente)
cavalgando uma estrela
cadente.

domingo, 17 de maio de 2009

POETAS DA AMAZÔNIA



Tenório Telles (foto) pertence a nova geração de poetas da Amazônia. Amazonense nascido na cidade de Anori. É professor de Literatura e também formado em Direito, membro da Academia Amazonense de Letras. Conselheiro Editorial da Ed. Valer tem prestado relevantes serviços as letras e as artes do Estado do Amazonas, sendo responsável pela republicação dos classicos da literatura do Amazonas. Publicou "Primeiros Fragmentos", poesia e "A Derrota do Mito", teatro, juntamente com o poeta Thiago de Mello lançou o CD Vida e Luz.

sábado, 16 de maio de 2009

INSTANTE

A forma do arco-íris
embaça a chuva
e a tarde desaba
ladeira abaixo
enquanto andorinhas
no céu do dia
( em declínio)
em voos pandos
tatuam a pele do vento,
apenas o olhar da rua
persegue a paisagem
em decomposição.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

ESTADO DE CIO

Te quero assim
agressivamente linda
com essa tez rosada
e olhar de mansidão
de lago após a chuva,
te quero assim
simplesmente
glutea e lasciva
cheirando a anélito
de rosa do campo
te quero assim
completamente
meiga e ardente
(eivada de candura
e desafios)
que possa comunga
todos os dias
do meu estado de cio.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

PASSAGEM

Guardo na memória a arquitetura
dos teus olhos carregados de luz
que passaram por mim
iluminando meu caminho.
E de repente
implodiram ás paixões
os gestos se perderam
no silêncio das mãos
e no mutismo das horas,
as palavras se calaram
no útero da garganta,
e foi só depois de tua passagem
pelas trilhas geométricas
dos meus olhos
é que vi que o mundo
já não era o mesmo.

( Este poema publiquei no site Overmundo e foi dedicando a poeta paulista, Nydia Bonetti, explosão poética que Piracaia pariu para as letras do país, depois de lê Olhos Raros de sua autoria).

terça-feira, 12 de maio de 2009

OCASO SOBRE CAMPINAS

O sol se põe sobre o viaduto Cury,
raios languidos e tépidos
amornam as vértebras da tarde
que caminha para o suicídio
das horas.
A cidade abre o seu ventre
para receber o bafejo
da noite que avança
( com sua vestimenta de mêdo)
sobre a Vila Industrial
e promete mistérios.
Na Avenida Prestes Maia
edifícios sofridos de poluição
guardam no limo
de seus antigos calendários
vestígios de um tempo
que nunca vivi.
No Terminal Central
o caos se instala:
vidas vão
vida vem
vidas vão e vem
cada uma levando
sua cruz
e atravessam a pátina
do crepúsculo.
Lá para os lados de Viracopos
( ninho de aviões)
um pássaro solitário
( com asas de nevoa)
desce os degraus do vento
e corta o ar da tarde
relembrando antigos
ocasos esquecidos.
Enfim a tarde capitula
definitivo o sol desce
e essa saudade de Campinas
me anoitece.

( Este poema publiquei no site Overmundo e foi dedicado a grande poeta paulistana Cintia Thome).

POSSIVEL POEMA Á AMADA

Durmo em ti á hora
da noite permissiva
onde a sobriedade
de teu rosto
incita a viagem
e viajo pelas sendas
brancas e inconsúltis
do teu corpo,
me excito com a arquitetura
dos teus seios rosados
( maçãs sazonadas)
e busco a impunidade
dos meus atos sensuais
na realidade dos teus lábios.
No silêncio das horas
pesco cardumes de palavras
doces , amenas e ofereço
aos teus gestos maduros
de amar.
E tu, amada e amor,
dormindo ao meu lado
( Vênus adormecida)
tua nudez resplandecendo
na luz do abajur,
afoga minha respiração
e o cio surgindo dos labirintos
do meu corpo
celebra minha intenção
de ti amar com ardor
e sofreguidão.

sábado, 9 de maio de 2009

POETAS DA AMAZÔNIA



Jorge Tufic (foto) nasceu em Sena Madureira, no Estado do Acre, mas, sua vida intelectual foi desenvolvida em Manaus. Poeta dos mais exaltado pela midia literária do norte e nordeste, também do sul e sudeste. Escreveu mais de 50 livros, entre os quais se destacam, Chão Sem Mácula, Mitos da Criação, Varanda de Pássaro, este no início da carreira poética, Do Outro Lado do Rio, prosa , e outros e de grande relevância no cenário literário brasileiro. Reside na atualidade na cidade de Fortaleza-Ce, onde exerce uma plena atividade litéraria, tendo sido agraciado com o titulo de Cidadão Fortalezense, outorgado pela Câmara Municipal daquela cidade cearense. Jorge Tufic foi um dos fundadores do Clube da Madrugada, movimento cultural que transformou a literatura e artes no Amazonas e da Academia Pré-Andina de Letras, com sede em Tabatinga, cidade amazonense situada na fronteira oeste do Brasil.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

REQUIEM PARA AUGUSTO BOAL




Os gestos se perderam
no entrelace das mãos,
a voz alcançou a mudez
na coxia silenciosa:
-Boal está morto!
A morte fossilizou o corpo
e a palavra deixou de aguar
a gleba dos oprimidos
e o ator transvertido em Deus
ante o olhar atônito da platéia
se fez cinzas e rasgou
os limites da existência
em busca de novos amanhãs.
O palco está vazio
o país está vazio,
desceu o pano no último ato
do teatro da vida:
-Boal está morto!

( Augusto Boal ( foto) foi um icone do teatro universal. Faleceu na semana pretérita com todas as honrarias de um grande dramaturgo que foi e inovador do teatro brasileiro, criou o Teatro do Oprimido. O teatro brasileiro e mundial perdeu um de seus mais ilustre mestre.Boal também era um escritor de linguagem escorreita. Escreveu vários livros de grande relevância para o teatro e para vida de todos nós, brasileiros. Com a passagem de Boal para outra dimensão, ficamos pobres um pouco mais.

domingo, 3 de maio de 2009

POETAS DA AMAZÔNIA




Thiago de Mello ( foto) é o mais influente poeta da Amazônia. Sua poesia é reconhecida nacional e internacionalmente, possui obras publicadas em mais de 60 paises. Durante a ditadura Politica/Militar foi preso e teve que exilar-se no Chile e depois na Alemanha. Publicou mais de 50 livros entre os quais: Silêncio e Palavra, Narciso Cego, Estatuto do Homem, Faz Escuro Mas Eu Canto, Num Campo de Margaridas e outros. Reside no municipio de Barreirinha, Am, numa casa projetada por Lúcio Costa, o mesmo que projetou as ruas de Brasilia, ás margens do rio Andirá. Esta com 83 anos. Thiago é o orgulho intelectual do Amazonas, da Amazônia e do Brasil.