Páginas

sábado, 27 de novembro de 2010

COUNTERPOINT


Regurgitate the words
the bitterness of their conjunctions
silent and deep in the allotment
the day the restless winds
bristle cilia in the afternoon.
The sun drunk birds
as streets and canopies
interpret the handwriting
my shadow.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
CONTRAPONTO
As palavras regurgitam
o amargor de suas conjunções
e calam profundas na seara
do dia onde os ventos inquietos
arrepiam os cílios da tarde.
O sol embriaga os pássaros
enquanto ruas e marquises
interpretam a caligrafia
de minhas sombras.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

TWO POEMS FOR MY SHOES


1.
My shoes lead me
the peripheries of the world
and decipher the code of my steps
know all my shoes from me
the casts out my coming and going.
2.
With my shoes have
the world at my feet.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

LIÇÕES DE CARMEM PRESOTTO



Dois poemas de Carmem Presotto
( alvos de manhãs e luzes)
penetram nas fímbrias do outono desfolhado
enquanto os ventos, em redemoinhos)
sopram as folhas maceradas e caidas
que encarpetam o solo adusto da tarde.
Os versos da poeta inventam lagoas de sol
onde pássaros nômades e inquietos
vêm beber a força de seus vôos
para o recomeço de novos amanhãs.
E eu, absorto e embevecido,
debruçado na linha do horizonte
bebo na concha da tarde coplas
de sentimentos, paz, amor e poesia.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

PAISAGEM NOTURNA


A lua salpica de prata
as vestes talares da noite,
uma chuva fina e teimosa
açula os germes da angústia
numeral que edifica castelos
de silêncios nos dominios
deste quarto frio e insone.
Nas ruas o caos explode
em delírios na contra-mão
do tempo que modela
o barro das horas
enquanto lá em cima
( num céu acetinado )
a via-láctea se esparrama
entre pó e nevoa.

domingo, 14 de novembro de 2010

POSSIVEL POEMA EM FIM DE TARDE

O alpendre me conduz ao silêncio.
Na tarde em véspera de ocaso
um pássaro tenor sublima
a ópera do sol.
Nos jardins flores (em seus
discursos de pétalas)
mostram a rota da primavera
enquanto os ventos varrem
o pó das ruas e coagulam
os rastros da memória.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

PERENIDADE

Os mortos perscrutam o tempo
e os ossos continuarão caústicos e incolumes
no fundo da terra eivada de ácido e umidade
como vínculo indissoluvel
entre o homem e a eternidade.

sábado, 6 de novembro de 2010

NATUREZA VIVA


O velho vaso de flor sobre a mesa*
na cadeira de embalo auscultando
o tempo
meu avô urdi silêncios
enquanto na sala as mão calidas
de minha avó, ageis,
tecem a trama da vida
no seu tricô.
* o primeiro verso é de Nydia Bonetti.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

TALVEZ UM POEMA DE AMOR

Os olhos da noite
perpetuam os relevos
do teu corpo em têmpera,
no silêncio do alpendre.
Subito e inebriados
meus lábios em chamas
desaguam na arquitetura
lúbrica de tua boca.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

OS GIRASSÓIS DA POETA



Os girassóis
da poeta Lara
continuam girando
girando
mesmo sem
a presença
do sol.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

POEMA


A sombra do alpendre
(recesso de sonhos e memória)
permanece imponente e inalterado
fustigando os dragões do tempo
e acomodando os gomos do silêncio.