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segunda-feira, 6 de abril de 2009

SOLO DE OUTONO



( para o poeta marajoara Benny Franklin, cuja cultura e a inteligência engrandece á Amazônia)


As folhas caídas no chão adusto da praça
se transformam em pó, residuos outonais,
soprado pelos ventos que agitam
canteiros de gerânios e suavizam
os degraus do dia.
Um céu debruado de nuvens sépias
tenta ofuscar a luz do sol
no instante em construção.
Uma entonação de ária, solo imáginário,
percorre becos, ruas e avenidas
embevecendo ás vertebras da cidade
enquanto uma chuva fina intermitente
molha os cílios da tarde
e desbota a cor do meu silêncio.

2 comentários:

  1. Benny e Julio - poetas de grandeza amazônica.
    E que poema...
    Beijos

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  2. Querido Julio - poeta manauara que tanto admiro!

    Ficar eternizado com poema igual a esse, no teu divino blog, é coisa songema e verdadeira que guardarei para sempre dentro de mim...

    E, para agradecer-te, faço minha as palavras de um outro monstro da poesia brasileira:

    (...) "Em coito permanente com a palavra,
    abates ampulhetas... Do tempo, as areias vivas
    são estrelas escarlates que te guiam
    ao útero dos guetos,
    onde almoçarás despido de urgências
    e viverás Kafka...
    Onde comerás a maçã do reino prometido
    e te servirás sobre as mesas
    metamorfoseadas do teu inconsciente...
    Onde contemplarás os melhores espíritos
    da tua geração."

    Extraído do magnífico poema "Carpe Diem" do poeta Rubênio Marcelo, a mim dedicado.

    Obrigado, amigo!

    Benny Franklin

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