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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

CRONIQUETA



Hoje me lembrei, mais uma vez, de Farias de Carvalho, o poeta inspiradíssimo, o redator de sonhos e o orador ubertoso, que manejava a palavra com sutileza e afinidade, proporcionando textos inebriantes. Guardo nos desvãos da memória a figura daquele homem obeso andado vagarosamente pela a redação do saudoso jornal A Noticia e com sua voz sísmica, chamando o repórter Roberval Vieira. Não era um chamamento era um berro que tonitruava pelo jornal inteiro: Roberva!!!! Roberva!!! O poeta cuja  teor vocabular encantava a todos que o ouvia declamar poemas e discursar.Um dia ele me convidou para o lançamento de um livro do poeta Alcides Werk. E fui com ele. Na apresentação que fez sobre o livro do poeta Alcides, Farias de Carvalho conseguiu se superar com um discurso antológico.  Foi ele que escreveu o prefacio de um livro que nunca publiquei, cujo titulo ele também lhe dera: Cantigas de Alem do Ser.  A Noticia estava sob censura previa e Farias era um exímio Redator Chefe e com seu linguajar apurado, conseguia, nas entrelinhas, criticar a ditadura sem a percepção do censor federal que todas noites examinava as matérias a serem publicadas no dia seguinte.  Tenho muita saudade do jornalismo, da presença e cultura do poeta Farias de Carvalho, hoje habitante da Grande Luz. Deixou-nos dois livros,” Cartilha de Bem Viver com Lições de Bem Amar” e “Pássaro de Cinzas”, este ultimo um clássico da moderna poesia da amazônia .

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