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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

AS DORES DE ÂNGELA



Desde os doze anos que Ângela, sofria com dores atrozes que habitavam toda sua estrutura corporal.  A medicina jamais explicou, diagnosticamente, a natureza de sua patologia. Cada médico indicava uma variedade de remédios que conseguiam apenas minimizar a intensidade das dores. Apesar de sua pouca idade, agora já com quinze anos de idade, Ângela, sabia que a medicina nunca poderia sarar suas dores. E por isso passava o tempo todo resignada. Não podia estudar ou realizar qualquer tarefa. As dores não deixavam.

Um dia sua mãe sentou-se á beira de sua cama e disse em tom choroso: - Ângela, minha filha, eu queria que Deus me desse uma provação. Que ele transportasse para mim todo este teu sofrimento, todas essas dores que sentes. Não queria que sofresse mais.

 Foi então que Ângela respondeu á mãe, sabiamente: - Mãe, não se desespere. Tudo vai ficar bem. É uma questão de tempo. A dor é uma poda. Ela está podando os resquícios de impurezas de minhas vidas passadas que ficaram incrustadas em minha alma.

Passaram meses. E numa manhã de luz, Ângela acordou sem dores e sentiu-se leve como uma pluma sendo levada por um rebanho de ventos.  Chamou sua mãe. E quando ela chegou apressada, Ângela disse-lhe: - Mãe, a dor me libertou. Estou livre. Eu não lhe disse que a dor é uma poda?

Lá fora o outono podava ás arvores.

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