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segunda-feira, 24 de junho de 2019

OS PÁSSAROS DO CREPÚSCULO



Os pássaros do por do sol chegaram.
Chegaram tardiamente,
mas chegaram quando o sol desfalecia
nos braços do rio.
Trouxeram em suas asas de neon
chispas de sol para acalentar
a frieza do inverno das noites do tempo
e nos bicos de sonho
trouxeram os embriões da noite.
E foram logo habitando a varanda,
onde todos os dias e os espero,
descasaram suas asas e seus flautins
para um novo recomeço.
Amanhã eles retornarão as suas rotas aéreas,
cavalgando como pequenos corcéis alados
os ares do novo dia,
mas voltarão no fim da tarde.
Os pássaros do meu ocaso.
( depois de ler um poema de Nydia Bonetti)

terça-feira, 7 de junho de 2011

CANÇONETA DO DIA ( para Nydia Bonetti)






Sob o silêncio
do alpendre
as horas estatizam
o tempo.
O dia avança
sobre as latitudes
da casa
enquanto o flautim
dos pássaros
antecede a chuva.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O CÃO DO MEU VIZINHO


O cão do meu vizinho latiu
a noite toda e seu latido
em dó maior ecoava
pelo útero da casa
não me deixando dormir.
Fui á internet e li
um poema de Carmem Pressoto
e dois de Nydia Bonetti
mas a insônia não me deu
trégua,
quando amanheceu
abri a janela e vi
(extasiado)
o sol rompendo
o hímen da manhã
numa explosão
de vida e encanto
cobrindo de cores e luzes
o céu pleno de verão.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

LIÇÃO DE NYDIA BONETTI


As palavras fragmentadas
( leves e incisivas)
se agrupam na linguagem
castiça dos versos
que se transformam em sementes
de emoção e voragem
na lavoura do cotidiano,
tercetos debulham espigas de haicais
na varanda de sonhos do poema
onde pássaros em gorjeios
vêm beber gotas de sol
na concha inconsútil das manhãs.

sábado, 6 de novembro de 2010

NATUREZA VIVA


O velho vaso de flor sobre a mesa*
na cadeira de embalo auscultando
o tempo
meu avô urdi silêncios
enquanto na sala as mão calidas
de minha avó, ageis,
tecem a trama da vida
no seu tricô.
* o primeiro verso é de Nydia Bonetti.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

ENGENHARIA & POÉTICA (para Nydia Bonetti)

poeta e engenheiro
aliados no mesmo
cálculo estrutural de rimas
e de colunas preenchidas
pela argamassa
da vida cotidiana
a régua traça as retas
e as curvas
o verso destila a forma
na construção
da palavra
o esquadro descobre
vãos e pilares
e a poesia descobre
agruras da vida
nua e crua
(sem disfarces)
flutuando nos andaimes
do tempo e dos espaços.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

TRENO PARA O FIM DO INVERNO

Há pássaros em mim
(nos cernes das palavras
soltas no ar dos meus
cabelos)
há pássaros na substância
verbal de Cintia Thome
há pássaros na arquitetura
poética de Nydia Bonetti
há pássaros na sutileza
do canto de Doroni Hilgenberg
e há pássaros nas locubrações
existencialistas de Benny Franklin.
Quando o inverno se for
e as manhãs gestarem
os embriões do silêncio
o sol cobrir de ouro
os jardins da cidade
esses pássaros sairão de nós
cândidos e tangendo liras
de sonhos para um concerto
de canto amor e louvor
celebrando a inauguração
da primavera.

domingo, 6 de dezembro de 2009

UM POEMA DE NYDIA BONETTI

o pássaro

caminha sobre o muro, esquecido das asas

e pia

embora saiba todos os mistérios do canto

eu sou

o pássaro cinzento sobre este muro branco


( este poema me foi dedicado pela poeta)

domingo, 8 de novembro de 2009

QUASE HAICAI

quando recito poemas de nydia
as manhãs se enchem de pássaros
e esqueço (da vida)as perfidias.

domingo, 20 de setembro de 2009

POEMA QUASE ADEUS PARA UM RIACHO

No ciclo de minha infância
havia um riacho de águas
claras e piscosas
que serpenteava
pelo ventre da cidade
e chegava impávido ao rio.
Dele o peixe sadio
nos almôços de sábado
nele o banho suave
nas manhãs dominicais.
Um dia chegaram os homens
com seus apetrechos
de fúria e ganância,
( agentes da destruição)
toldaram as águas
sufocaram cardumes
apodreceram suas margens.

E o riacho de minha infância
hoje está assoreado e morto
mas ainda corre
límpido e soberano
nos labirintos de minha memória.

( poema dedicado a brilhante poeta Nydia Bonetti que teve um rio em sua infância)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

ELEGIA QUASE

Quando a inelutável me convocar
compulsoriamente para habitar
os vales verdes sem fim
onde a primavera nunca vai embora
e o sol nunca apaga seu lume,
não vestirei a túnica inconsútil
dos mortos mesmo sendo de linho
não vou querer incêndios de velas
nem os triviais epitáfios
tatuado sobre a lápide
inconsequente e fria.
Desejarei apenas que alguem
( parente ou amigo)
pendure no meu túmulo
um poema de Farias de Carvalho
ou de Nydia Bonetti.

(O poeta Farias de Carvalho foi e continua sendo o meu guru. Poeta imenso que tive o prazer trabalhar com ele na redação do saudoso jornal "A Noticia". Aprendi muito como este mestre das letras amazônicas. Nydia Bonetti é a poeta paulistana que extrai das coisas simples da vida belezas poéticas, verdadeira arquiteta de sonhos, garimpeira de luas e luares. Dois poetas, duas admirações. Este poema foi feito em cima do poema Epitáfio em que o poeta Farias de Carvalho, diz que quando morresse queria apenas que a noite pendurasse em seu túmulo uma estrela.)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

PASSAGEM

Guardo na memória a arquitetura
dos teus olhos carregados de luz
que passaram por mim
iluminando meu caminho.
E de repente
implodiram ás paixões
os gestos se perderam
no silêncio das mãos
e no mutismo das horas,
as palavras se calaram
no útero da garganta,
e foi só depois de tua passagem
pelas trilhas geométricas
dos meus olhos
é que vi que o mundo
já não era o mesmo.

( Este poema publiquei no site Overmundo e foi dedicando a poeta paulista, Nydia Bonetti, explosão poética que Piracaia pariu para as letras do país, depois de lê Olhos Raros de sua autoria).

quarta-feira, 22 de abril de 2009

AFRICA




Escravidão da cor
escravidão da miséria
escravidão da dor
escravidão da terra
escravidão da guerra.
Africa
continente em decomposição
( onde o sofrimento é pertinaz)
mesmo assim Africa,
eu te amo
berço dos meus ancestrais.
(poema construido após a releitura de Africa, poema da inspiradissima poeta paulistana Nydia Bonetti)

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...