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domingo, 20 de setembro de 2009

POEMA QUASE ADEUS PARA UM RIACHO

No ciclo de minha infância
havia um riacho de águas
claras e piscosas
que serpenteava
pelo ventre da cidade
e chegava impávido ao rio.
Dele o peixe sadio
nos almôços de sábado
nele o banho suave
nas manhãs dominicais.
Um dia chegaram os homens
com seus apetrechos
de fúria e ganância,
( agentes da destruição)
toldaram as águas
sufocaram cardumes
apodreceram suas margens.

E o riacho de minha infância
hoje está assoreado e morto
mas ainda corre
límpido e soberano
nos labirintos de minha memória.

( poema dedicado a brilhante poeta Nydia Bonetti que teve um rio em sua infância)

4 comentários:

  1. Obrigada, Julio. Que belo poema. E dialoga tão bem com o meu. Mas o poeta brilhante - diamante - é você.

    Tivemos sorte: convivemos com rios de águas claras, quintais, jardins e varandas na infância. E as novas gerações, o que guardarão nos labirintos da memória da infância? Que poemas farão?

    Precisamos cuidar: do rio, da floresta, do planeta, da infância... da vida. Você sempre me comove. Beijos.

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  2. Olá Júlio, seu poema é belo e triste. De uma limpidez cristalina, contrastando com a degradação
    que acomete cada dia mais os rios, as matas, a Natureza...E o homem!
    Como diz Nydia:"que poemas farão a nova geração?"
    Muito bom conhecer teu blog. Devo agradecer a Nydia por esse presente de domngo. Voltarei.
    Abçs

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  3. Julio, o rio da minha infância se chama Piedade (hoje, pede piedade!). Esse poema tb me tocou fundo e verti uma lágrima de piedade. Abraços.

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  4. O riacho do Poema, Nydia, Cirandeira e Sidnei chama-se Mindu ele atravessa a cidade de Manaus e vai desaguar no Rio Negro.Na infância tomavamos bano em suas aguas sadias e faziamos campeonato de pesca.Adolescí vendo-o correr absoluto. Manaus é uma cidade em plena a selva amazonica e corria na sua casa, a selva que na época a cidade era babstante arborizada.Ele hoje está morto e virou esgoto a céu aberto.Lamentável.

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