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segunda-feira, 15 de junho de 2009

ELEGIA QUASE

Quando a inelutável me convocar
compulsoriamente para habitar
os vales verdes sem fim
onde a primavera nunca vai embora
e o sol nunca apaga seu lume,
não vestirei a túnica inconsútil
dos mortos mesmo sendo de linho
não vou querer incêndios de velas
nem os triviais epitáfios
tatuado sobre a lápide
inconsequente e fria.
Desejarei apenas que alguem
( parente ou amigo)
pendure no meu túmulo
um poema de Farias de Carvalho
ou de Nydia Bonetti.

(O poeta Farias de Carvalho foi e continua sendo o meu guru. Poeta imenso que tive o prazer trabalhar com ele na redação do saudoso jornal "A Noticia". Aprendi muito como este mestre das letras amazônicas. Nydia Bonetti é a poeta paulistana que extrai das coisas simples da vida belezas poéticas, verdadeira arquiteta de sonhos, garimpeira de luas e luares. Dois poetas, duas admirações. Este poema foi feito em cima do poema Epitáfio em que o poeta Farias de Carvalho, diz que quando morresse queria apenas que a noite pendurasse em seu túmulo uma estrela.)

4 comentários:

  1. Julio, nem sei o que dizer. Que emoção foi ler este poema.... Num mundo que busca e endeusa as “complexidades” e menospreza o simples, saber que alguém compartilha deste sentimento do “ser simples”, seja na poesia, seja na vida, agora ou depois... é muuuuito bom. Que poema, amigo. Emocionada... Obrigada.
    OBS: Busquei alguns poemas de Farias de Carvalho, e gostei demais dos que li. Quero ler mais Farias de Carvalho, quero ler mais Júlio Rodrigues Correia! :)
    Abraços muitos.

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  2. Poema homenagem dupla. E com um toque mórbido no final. Lápide, Júlio! Augusto dos anjos perde;))

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  3. Admirando....
    bela poética a poetas


    dojeito que gosto...
    conferir vou


    Um gde abraço Julio

    veja CRER

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  4. Julio
    Já ameacei fazer isto antes: queimar tudo :)) Mas nunca vou ter coragem. Seria o mesmo que arrancar um pedaço de mim.
    Espero que estejam fazendo uma ótima viagem.
    Um abraço, amigo.

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