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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

ULOS

Descubro-me na aridez canicular do tempo
onde hectares de sonhos frustrados
( sementes nunca semeadas)
permanecem no silêncio sazonado
do santuário inconsútil da memória.
É inútil revolver o passado
e mastigo agruras e solidão
percorrendo trilhas ínvias
dessa cidade morna desvirginada
pelo egoísmo e ambição
dos que fazem do mundo
arena de embates infames.
Refugio-me no poema
mas o poema é um rio
desaguando incasto
no oceano do cotidiano
imprevisível e amargo.
Aposso-me do tédio das ruas
na liturgia cruel dos dias,
misturo-me ao caos urbano
pejado de delirios e insônias
( soma dos meus pecados)
e suporto a vida olhando
os olhos serenos e castos
da mulher amada na fotografia
colada á parede deste quarto
abrasivo e silencioso
e consigo sobreviver
em meio de tantos mortos.


( após ler o poeta beatnick Allen Ginsberg)

Um comentário:

  1. Consola ter o poema como refúgio, mesmo ele sendo um rio a desaguar neste oceano imprevisível e amargo dos dias iguais. Consolam as fotografias nas paredes a nos olhar nos olhos...

    Maravilhoso, Julio.

    Beijo.

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