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quarta-feira, 29 de abril de 2015

AS SOMBRAS DO OUTONO



Ontem me enrolei nas sombras do outono
esqueci que um lua velha e quase opaca
flutuava  num céu de nuvens brancas e pesadas
carregadas de águas de antigas chuvas
e tentava iluminar o território sombrio da noite,
olhei para a praça deserta  e vi velhas
acácias derramando  sementes hermafroditas
no chão de musgo e liquens nas calçadas.
Pedi  a noite que não manifestasse
os seus ludíbrios  e os seus delírios
para que a manhã renascesse luzidia e casta
nessas ruas  ruídas de poluição e desastres,
vir a madrugada molhada em orvalho surgir
encharcando a extensão da varanda
esperei  o silêncio chegar no quarto de sonhos
me enrolei nas sombras do outono e fui dormir


 

 

 

 

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