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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

TOCATA MATINAL EM SI BEMOL



Sigo as trilhas desta manhã
tecendo costuras de sol.
O vento abre suas asas
imaginárias e varre minha
sombra nas calçadas,
uma nuvem em chuvísco
molha minhas palavras
e fico calado observando
o sudário de angústias
das ruas ínvias da cidade
em pânico.
Nas praças onde os velhos
descansam e mastigam
as ervas de suas idades
a arquitetura do silêncio
ergue castelos de memórias
e sono
e no arvoredo desfolhado
a canção dos pássaros, em coro,
celebra a inauguração do outono.

4 comentários:

  1. Belo poema, Júlio, onde as metáforas dão um show!

    Ainda bem que no sudário das angústias a canção dos pássaros inaugura o outono!

    Abraços, poeta!

    Mirze

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  2. Hey, Poeta, me empresta estes versos:

    uma nuvem em chuvísco
    molhas minhas palavras
    e fico calado observando
    o sudário de angústias

    Lindo, um poema cinematográfico, feito narrador câmera vais nos abrindo às cenas poesia.

    Beijos

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  3. Julio,

    poema carregado de deleite! A manhã é a costura do Sol pois o cheiro do húmus, destas folhas de plátanos, geram uma cartografia amarelo que entra no corpo e se transforma em memórias!

    Abraços

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  4. Que beleza de versos,amigo.Cheguei,vim,e vou voltar.
    Espaço belíssimo.
    Abraços

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