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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

CRÔNICA POÉTICA DA CASA RESTAURADA

A casa já não mais reflete
as peripécias do passado
inovaram suas estruturas físicas
trocaram seus caibros de cedro
por frias vigas de cimento armado,
invadiram a arquitetura dos quartos
e expulsaram os fantasmas da infância
que povoavam os velhos armários,
foram além: ladrilharam os corredores
e arrancaram-lhe o alpendre
que em noites de verão as estrelas
debutavam sob o fascinio do luar
e não respeitaram sua história,
deixaram apenas, incolume,
o velho quintal, em árvores,
como resposta a minha ânsia
de memória.

6 comentários:

  1. casas são como gente:
    nascem, crescem, envelhecem

    e antes de morrer contam históras
    [... algumas renascem

    beijos.

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  2. Julio!

    Estas memórias pelo menos ficam. Ainda bem que não foi toda destruída. Triste é lembrar, voltar e encontrar uma igreja, um bar, no lugar que um dia vivemos.

    Belo poema!

    Beijos

    Mirze

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  3. Digo com Quintana: que amar é mudar a alma da casa e a tua está cada vez mais poética...

    Beijos e seguimos.

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  4. Julio, já escrevi vários poemas em referência à casa onde nasci. Sua crônica-poética me levou novamente lá. Os alpendres... que saudade dos alpendres... quando absorto nas tardes, fazia planos de futuro. Maravilha de crônica. Forte abraço.

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  5. Sua casa personificada aqui num poema me deixou a ver fantasmas. Muito bom, Julio!

    Beijo.

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  6. Lembrou-me uma casa que tinha aqui perto de casa. Foi derrubada, restou apenas a jabuticabeira azonizante no fundo de tudo.
    bacio

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