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quarta-feira, 28 de abril de 2010

POESIA MARGINAL (para poeta/cantante Ligía Saavedra)


FIM DE NOITE



meia-noite
a lua foi dormir
acesas ainda as ruas
cortejam desastres.
ao longe na rua dos inocentes
um bar encardido pelo tempo
( cheios de homens vazios)
um sax desafinado
tenta em vão solfejar
as notas de um canção popular.
o ar esfumaçado pelas brasas
dos cigarros
(paranifos de lentos suicídios)
e o cheiro de cerveja
e de bebidas baratas
saturam o ar do ambiente,
impassivel a noite
persegue a madrugada.

9 comentários:

  1. Noite (d)escrita aqui. Poema de afogar travesseiros.

    Sempre bom, meu caro.

    Beijo.

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  2. Larita, obrigado por suas palavras. Comentários vindo de um alma privilegiada, transbordando de sensibilidade, com a sua é o que todo poeta e todo escritor busca. Abraços do amigo.

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  3. Júlio, pensei em uma maneira de falar e homenagear a todos que tanto vêm me incentivando com o carinho e apoio que me doam.
    Escrevi uma crônica pensando em nós blogueiros. Falei sobre o que penso ser o blog para nós. Você pode concordar ou discordar; pode também acrescentar; mas não deixe de opinar. Leia e entenderá por que a sua opinião é indispensável para mim e para todos blogueiros.

    Abraço do Jefhcardoso do http://jefhcardoso.blogspot.com

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  4. vou te ser sincero, julio, está razoável, consegues surpreender mais, o que é bom.

    mas está engraçado e isso é uma qualidade na poesia que há sempre a valorizar

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  5. Júlio, gosto da cena, tua poesia tem revelado muito isso, para alguns poderia ser um mini conto... Mas, sem classificações o que mais admiro é este abraço com que chamas os poetas a tua Poesia.

    Um beijo amigo e companheiro

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  6. Nossa, Júlio! Estou encantada, surpresa e feliz com esta homenagem.
    Saiba vc que me vi nesta cena que vc criou com muita verdade, mas sem perder o lirismo.


    Muito obrigada, amigo!

    Se vc me permitir, gostaria de também publicá-la no meu blog " Saavedra, Música, Chibé e Poesia".
    Esperarei sua autorização.

    Um terno abraço amazônico

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  7. Lígia vc não pede, manda minha poesia é de todos e para todos. E chibé nela! Araço do admirador.

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  8. posso ppostar aqui!

    Beco Imundo

    Que bom andar trôpego pelas ruas
    Debruçado em balcões
    Dormindo em caixas de papelões
    Atirando garrafas
    Lambendo o céu néon
    Jogado com putas nas camas
    Trombando bucetas fumegantes
    Arrastando corpos infames
    É bom o cheiro do mangue
    É linda a merda na latrina
    Becos de Sevilha
    Atrás de alguma rapariga
    Quero o ranger da noite
    Seu hálito frio
    Sua boca aberta
    Seu bafo vadio
    Ah eu quero
    Também ficar nu
    Alto edifício
    Telhado lantejoula
    O saco que nem cebola
    Voar em cima do teu baú
    Comer fuder pupuaçu
    Meter nas cadelas
    Fornicar perebas
    Coçar remelas
    Travestido poeta
    Mordaça no limite da glande
    Estrangula meu desejo
    Jorra esgoto bacilo
    Lembrança teu rosto mar morto
    Ama-me na lama azul
    Rasgo-te o cu
    Ontem sai da taberna
    Louco ódio andarilho
    bocejei
    Olhei em cima
    Era tua face abissínia
    Adormeci na tarde pestilenta
    Li tua poesia agourenta

    Ass, Biosas

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  9. SOSTENIDO
    Musico musica
    Violão guitarra
    Saxes fumaça
    Minissaia salsa
    Luz na vidraça
    Trompete vara
    Trompa traçada
    Batuque pandeiro
    Esquidum
    Bem no meio
    Acústico piston
    Acústico timbre néon
    Tempero faceiro
    Quadris dos negos
    Algodão senzala
    Umbigada e patuscada
    Timbre de samba
    Tambor de malandra
    É jazz
    Néon oerlins
    Mississipi
    Navio no cais
    O samba
    Bamba
    Balança
    Tecido organdi
    Só bebo parati
    Melodia andrógina
    Canção parabólica
    alto
    Em cima
    Na esquina
    semínima
    Bem baixinho
    Pianinho
    Grave os trombones
    Insaiadinho
    O violão do Carlinhos
    Que banda legal
    Quem toca
    Quem canta
    Coisa original
    Madruga
    Na porta infestada
    Pessoas sorrindo
    No colo madrugada
    Compondo historia
    Melodia em gloria
    Qualquer samba
    De algum bamba
    Em algum lugar
    Sozinho a cantar
    No escuro do bar
    Na Lapa
    Quem sabe uma garapa
    Esquenta a memória
    Criar e seu momento agora
    Sente o poente
    O samba vem surgindo
    Teu refrão é lindo
    Mais um pra coleção
    Canta que esse pranto é bom
    Poeta é assim
    Inventa
    Trasteja
    Mas no fim
    É ele quem nos presenteia

    Ass, Biosas

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