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domingo, 24 de maio de 2009

POEMA QUASE MANIFESTO

Declaro para fins ecológicos
que não sou eu
que devassa os campos
os trigais silvestres
e os arvoredos,
que não sou eu
que anuvia os céus
com as raspas
e fuligens de aço
envenenando pulmões
nas axilas
das cidades sofridas,
que não sou eu
que joga bosta nos rios
e olea onda dos mares
sufocando peixes
e esfomeando vidas,
não sou eu que constroi
essas desgraças tamanhas,
são eles os agentes iníquos
do capitalísmo irresponsável
que eivados de ganância
e ambição desmedida
provocam as dores do mundo.

( na Amazônia os grandes pecuaristas colocam a mata no chão, toldam os rios e os pequenos agricultores são responsabilizados por essas ações. O poeta Roberval Vieira perguntou-me se eu fosse um pequeno agricultor o que eu diria sobre essa situação e, então, fiz esse desabafo.

Um comentário:

  1. Um poema - um manifesto - a favor da vida. Se nos calamos, compactuamos. A poesia tem que cumprir também este papel: ser a voz dos que não tem voz... Falamos por eles, e falamos por nós.
    Uma beleza de trabalho, Julio.
    Abraços

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