quinta-feira, 6 de maio de 2010

ESTUDO VESPERAL EM MARINHA

Estou nesta gótica janela de mundo
( esperando o claro acontecer de vácuos)
e fiz de seu parapeito meu periscópio
de onde lobrigo a letargia da tarde
descer os degraus do dia
e caminhar para o mistério do ocaso.
Olho a paisagem ao redor e alem:
observo o mar no seu discurso de ondas
impacientar insistentemente os recifes,
e em um céu de azul acetinado
histéricas andorinhas em vôos pandos
tatuam arabescos na pele do vento,
na linha do horizonte uma jangada solitária
perfila-se solene aos rigores do terral
enquanto uma gaivota em garras, frénetica,
bica a superficie das águas em vôo acrobático.
Vejo agora (resoluta) a noite lançar ancora
nas alvancentas areias da praia deserta
e assisto inebriando a dança das marés.

(Praia do Barro Preto, Ceará/maio/2010.)

5 comentários:

  1. Queria ter um parapeito desses...

    Beijo.

    ResponderExcluir
  2. Julio,
    Que belo poema sensorial. Não sei se esta designação existe, mas é como eu o senti e denominei aqui dentro de mim mesmo. Ele é visual, tátil e até olfativo.
    Bela descrição dessa janela, bela paz.
    Grande abraço.

    ResponderExcluir
  3. Que belo quadro em palavras, obrigada por este empréstimo poético, Júlio. É muito bom viajar cm os olhos dos outros, sentimento que a boa Poesia nos traz.

    Um beijo amigo e companheiro

    Carmen Silvia Presotto
    www.vidraguas.com.br

    ResponderExcluir
  4. Julio, olá!

    O Poeta ao citar andorinhas histéricas e frenéticas gaivotas, nos remete a essa maravilhosa paisagem que o cerca, a esse vento tatuado que lhe sopra o rosto e a essas águas que não temos por cá, mas o faz tão bem que chegamos a sentir a brisa nas suas palavras.

    Um terno abraço amazônico

    ResponderExcluir
  5. Transbordamento lírico! Belo!

    ResponderExcluir

PÁSSAROS

Ontem na clara manhã de julho vi casais de alegres  sanhaços bebendo sol nas grades do meu terraço.