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O POETA VOLTA À LISBOA


A cidade é a mesma dos anos passados
feminina , romântica e bela
casas com flores desabrochando nas janelas
e a velha Alfama desfiando seus fados,
na ribeira o Tejo insuflado pela maré
avoluma suas águas e acoita o Cais do Sodré.
Perfurando a paisagem a Ponte 25 de Abril
Cujo nome relembra batalhas furiosas e febris
pontifica solene sobre as costelas do rio
e a efervescência do Bairro Alto convida a boemia
que sobe e desce as ladeiras cheias de poesia.
No largo do Chiado o poeta Fernando Pessoa
se exibe, em pose, para as fotografias
de turistas e seus devotos
que o querem registrados na memória de suas fotos
enquanto da praça Camões o discípulo vigia.
No Rossio e em sua avenida principal
os ventos sopram a liberdade
e de seu pedestal no meio da praça o Marques
vigia a cidade,
e no fim da tarde no Café Nicola ,cadeira na calçada,
assisto o ocaso na hora em que o sol esmorece
e neste instante Lisboa contempla em prece
os braços abertos do Cristo de Almada.

(Lisboa/ julho/2014)

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