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terça-feira, 2 de agosto de 2011

DIALÉTICA DAS HORAS



Rasgo as trilhas da madrugada
com minhas mãos de musgo,
toldo meu instante com os restos
da escuridão da noite passada
e tento decifrar a caligrafia
deste silêncio numeral
levando nos ombros arqueados
uma lua morta e fria,
e na dialética das horas
o canto do galo despe as sombras
dos latifundios do dia.

8 comentários:

  1. Seu amanhecer rasgado faz-nos sentir a umidade da manhã que mal chega, cheia de sonhos com a madrugada.
    Belo poema!

    Beijo.

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  2. o tempo...algoz ou escudeiro...quem sabe um dia decifraremos essa dialética; nos decifraremos nus... sem dia ou ética...

    Belíssimo seu poema! Instigante e provocador.

    Beijos!

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  3. Pra ti:


    Guardei de dia a ética sob a blusa
    Defronte à janela
    Enquanto te lia
    Ruborizavam-se meus escudos
    No espelho
    Não entendia... por que o tempo passa
    Ao contrário pra quem ama

    Lou Albergaria

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  4. Esse blog é maravilhoso, Júlio. se tiveres mais poesia ou prosa da época do clube da madrugada, faça favor de publicar por aqui. obrigadão.

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  5. Que belo!!!!

    ... silêncio numeral - adorei!


    Beijos =)

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  6. Meu caro, sua poesia sempre me permite um sorriso. Posso levar comigo lá para o meu sótão. A segunda-feira vai adorar exiber seus versos por lá?

    bacio

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  7. Na dialética de tuas horas, as sombras se enumeram, visto-me dos momentos para dar passos aos sonhos...

    Um beijo amigo e junto desejo de um ótimo final de semana e sempre carinho.

    Carmen.

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  8. Tempo!?O tempo nos escapa sem nada podermos fazer para o agarrar quando nos apercebemos já o caminho está muito mais curto p'ra frente do que para trás então pegamo-nos com o relógio querendo fazê-lo parar e...
    Nada feito a ética do tempo é não ter ética...
    ''Adelina''

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