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segunda-feira, 5 de julho de 2010

ARQUIPÉLAGO DO SILÊNCIO

Existe na casa de minha infância
ilhas de mudez e lembranças
(arquipélago do silêncio)
que me conduzem á lavoura da memória.
Revisito-a. Na sala de jantar ainda sinto
o cheiro doce de meu pai na oração
contrita á hora da ceia de Natal,
da solidão da cozinha vem o aroma
do café vesperal de minha mãe,
suspensos no ar dos quartos vazios
esqueletos de sonhos e saudades
me acenam,
e no velho quintal , ainda de pé,
imponente e viçoso o velho cajueiro
sobrevivente dos temporais da vida
ele que era a plataforma de lançamentos
de minhas viagens interplanetárias,
enquanto lá fora antigos fantasmas
do meu passado, embriagados de silêncio,
capinam sombras no alpendre.

4 comentários:

  1. Querido Poeta,tenho lido o Teorias Impossíveis e me iluminado com os escritos de Lunna Guedes, parabéns por esta homenagem, que o arquipélago do silência siga inquietando nossos versos!!!

    Um beijo.

    Carmen Silvia Presotto
    www.vidraguas.com.br

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  2. Lindo, Julio! Muito lindo!

    A fotográfica lembrança nos transporta à essa inf^ncia "no cheiro doce" da tua imaginação aqui poéticamente conosco dividida.

    Bj

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  3. Posso dizer-te que o silêncio me alcançou de forma plena. Grata mil vezes por teu carinho e por esse versar que me deixou em estado de levitação como se assim eu pudesse flutuar por cima de todas as coisas belas. Meu abraço a você caríssimo...

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