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terça-feira, 15 de junho de 2010

TERRITÓRIO DA INSÔNIA

Os vestígios de tua ansiada presença
vão se dissipando lentamente no ar
deste quarto de solitude e vácuo,
apenas a tênue luz do abajur (que não é lilás)
ilumina tua já esmaecida fotografia pousada
na superficie encardida do criado-mudo.
No chão de memória da sala
restos de ilusões perdidas
se dispersam com o passar dos dias
e, eu, ( ser vertical e amargo)
vadeando o território da insônia
observo as horas gastarem as engrenagens
do tempo,
na inanimada circunferência do relógio
postado na velha parede de taipa.
Dissimulada a noite, em fuga,
não esperou para ver meus olhos
vermelhos e difusos pelo sal das lagrimas.

8 comentários:

  1. Lindo poema, Julio, sempre um prazer passar por aqui.

    Beijos.

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  2. Hey, Poeta!!!

    No ar fica um raro efeito com a leitura de teus versos... que as brumas da noite, em outros sonhos e versos, revertam o sal de tuas lágrimas, olhos de sempre Poesia!!!

    Um beijo amigo e carinhoso.

    Carmen Silvia Presotto

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  3. a poesia é ponte que nos aproxima do continente ou de outras ilhas, talvez mais desertas do que nós. beleza de poema, julio. beijo grande.

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  4. Por isso que digo que poesia é algo simples, ou gruda na pele ou desgruda da alma. rs
    Bacio

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  5. Julio!

    Que beleza de poema! Um arquipélago de lágtimas! Preciso disto.

    Beijos

    Mirze

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  6. Que belo poema Júlio. Muito bom. = )

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  7. Lindo!...

    Gosto de suas imagens descritas assim-assim!...
    "tênue luz do abajur (que não é lilás)";
    "esmaecida fotografia pousada"...

    Abraços carinhosos =)

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  8. "No chão da memória da sala
    restos de ilusões perdidas"

    Belas imagens num poema forte e sugestivo!

    abçs

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