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quinta-feira, 9 de julho de 2015

EU E O PÁSSARO ( MINICRÔNICA )


Na casa da infância havia uma gaiola aprisionando um pássaro de asas negras, peitoral branco e na cabeça um tufo vermelho vivo, que lhe dava um ar de figurinha cardinalícia. Todas as manhã eu acordava com aquele cântico trinado e plangente do pássaro, pulsando por liberdade. Havia lido num velho almanaque Capivarol, que os seres nascem livres e têm que permanecer livres. Um dia subi numa cadeira abri a gaiola e o soltei. Vi o pássaro, em voo apressado, cruzar a janela e pousar num galho de tamarindo. Olhou para trás como querendo agradecer meu gesto e em seguida, voou definitivo para a liberdade. Ninguém da casa da infância soube que fui o libertador da ave. Deste dia em diante acumulei uma profunda ojeriza por gaiolas e zoológicos.

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