sábado, 27 de fevereiro de 2010

ÁRIA DE SOL



Inauguras a tarde
com teus olhos claros de mar.
Vestidas de sol tuas mãos
( em gestos mágicos)
regem a sinfonia dos ventos
que teimam em varrer a pele das ruas
e respingos solares desgarrados
engravidam tenras roseiras.
De repente uma chuva estival
desaba sobre a cidade
como querendo lavar-lhe os pecados,
enquanto solitária procuras
na intimidade do jardim
(entre flores molhadas)
fiapos de sol.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

CANTIGA QUASE ACALANTO


Quando a noite chegar lenta
e os cílios de prata da lua
penetrarem pelas janelas
e espantar as sombras
deste quarto pejado de solidão,
imaginarei estar contigo, amiga,
palminhando ás áreas suburbanas
do teu corpo incensado e trigueiro
ancorando minhas mãos ávidas
e tépidas no manso cais do teu ventre
e descansando meus lábios candentes
na enseada dos teus seios
sedosos e ternamente agressivos.
E antes que os lacraus do orvalho
anunciem a presença da madrugada
reiterarei ( convicto) o amor que sinto
por ti, doce e inebriante amada.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

PEDRAS DO CAMINHO


O poeta disse em luzidio poema
que juntava pedras do caminho
para um dia construir um castelo.

Pedras do caminho
eu as colho e guardo
para um dia atirá-las
nos rostos de politicos
indecentes.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

NOTURNO Nº 2

Á tua luzidia e distante efígie
habita a morna tessitura
dos meus olhos sonâmbulos
e povoa de cio meus instintos
éroticos.
Entre nós dois existe (fixo)
um alpendre de memória
( confissões de segredos e
pecados)
que nos conduz por marés
e auroras inconclusas.
A textura das palavras
desce os degraus do vento
e se transforma em espumas
cozidas pela forja do tempo,
enquanto a caligrafia do silêncio
esconde os remorsos da noite
e o sal das horas
flamba os grãos da espera.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

NOTURNO Nº 1

O vento se abate irascível
contra o velho alpendre
e macera as vertebras
da solidão.
Encolhido no lado direito
da casa o jardim
esconde flores suicidas
nas sombras dos canteiros
e a noite invade
( resoluta) os latifundios
da madrugada,
lá fora uma chuva miúda
irrompe os degraus
do silêncio e irriga
a lavoura do tempo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

VISITA Á CASA ONDE NASCI

A tessitura de cedro
do velho alpendre
esconde os desastres
do tempo,
paredes mal caiadas
encharcadas de vestígios
de anos e vidas
reatam o elo perdido
entre a infância e a casa,
lá fora um jardim
decomposto em ruínas,
e uma chuva fina
de estio
tenta em vão
reanimar flores
ressequidas
enquanto um vento senil
sopra o pó da memória.

LESSON CINTIA THOME

The abissal depths
word declaimed
echoes in language nitida
abstract hands
(gestures ready)
and the friction of days
confuses scars
time,
spilled on de table
the poem ignores the eyelids
the nightmare of dream.

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...