sábado, 22 de maio de 2021

SONATA DE OUTONO

 

Sigo as trilhas desta manhã
tecendo costuras de sol.
O vento abre suas asas
imaginárias e varre minha
sombra nas calçadas,
uma nuvem em chuvísco
molha minhas palavras
e fico calado observando
o sudário de angústias
das ruas ínvias da cidade
em pânico.
Nas praças onde os velhos
descansam e mastigam
as ervas de suas idades
a arquitetura do silêncio
ergue castelos de memórias
e sono
e no arvoredo desfolhado
a canção dos pássaros, em coro,
celebra a inauguração do outono

sexta-feira, 21 de maio de 2021

PRAIA, MAR E SOL


Na praia o sol queima tua pele
e te bronzeia com ajuda de iodo
e salsugem,
ventos obscenos tocam teu corpo
querendo suavizá-lo da canicula
das areias ardentes.
E na arrebentação, como leoas famintas,
as ondas rugem
e com tuas mãos de teares teces à tarde
oceânica,
enquanto o mar cavalga os teus olhos.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

A VIDA NÃO É ISSO

A vida não só este caminho que começa na aurora e vai até o por do sol. Ela é mais do que isso. Nós que a praticamos até completar esse périplo, temos que atravessar mares de insegurança e desassossego, vadear rios e lagos de perfídia, escalar montanhas de engodo e dissimulação, mas também podemos prelibar de momentos de
felicidades
, circundando ilhas de bondade e prosperidade e perquerindo campos minados de sol e primavera, até que " la belle dame sans merci ", nos tolha e nos mostre as veredas do poente.
Você, Roberval Vieira de Freitas, Fanny Mota e outras 2 pessoas
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domingo, 16 de maio de 2021

HERANÇ

 Deste mundo carcomido

pelo mais vil materialismo
gerado pelas ações dos espíritos
corrompidos,
restaram apenas em mim,
como herança lavrada,
a lucidez dos poetas universais
as verdades vindas de Deus
e a serenidade dos olhos claros
da mulher amada.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

CAMINHada

 

Vamos, amor, caminhar por essas sendas desconhecidas.
Não temas a escuridão, trago comigo uma lua de bolso para guiar nossos passos no chão e a noite,amor, envelheceu sobre os seus próprios desastres e os sátiros guardiães de suas sombras também envelheceram sobre os escombros do tempo. No fim da caminhada, amor, o sol renascerá sobre um campo de margaridas e beberemos um pouco de orvalho na concha policrômica da manhã.
Vamos, amor, continuar a caminhada e que no fim da jornada, do outro lado do tempo, um novo horizonte nos espera.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

INSTANTES


A noite ácida cobre os labirintos da cidade com seus estandartes de sombras e delírios. Sombreados pelos ipês, vultos indigentes capinam silêncio no chão de musgo da praça . Uma lua em pedaço, antiga e decrepita tenta em vão iluminar as trevas do alpendre onde rumino minhas palpitações e os meus desencantos. Nos escaninhos de minha imaginação pareço ver infames centauros cavalgando a varanda. Recomponho o pensamento. Agora uma chuva carregada de ventos lava a miséria e os pecados das ruas ínvias saturadas de desastres. Este é o inverno da minha melancolia E o que resta agora, neste momento? É alongar pernas e braços, ler um poema de Zélia Guardiano e mergulhar no mar de sonhos na alcova da mulher amada.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

de sonhos e vertigem

 

Todas às noites surges do cimo

 de minha imaginação e caminhas livre e leve

 como uma pluma pelas alamedas da paisagem

 dos meus sonhos. E na vertigem de minhas fantasias

 penetras com teu encanto e quebras

o silêncio deste quarto saturado de tempo e memória,

 onde ancorava a solidão. Em outro instante onírico,

 te vejo como uma Venus, casta e bela,

 adormecida em um imenso campo repleto de margaridas,

 onde se entrelaçam o amor e a vida.

 E o que direi nestes instantes de sonhos e vertigem?

Direi apenas, amiga e amor que todas as noites galopas,

 terna e docemente, meus sonhos eróticos.

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...