sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

ESTAÇÃO III

Outono. Na calmaria da tarde de névoa
decifro a linguagem do signo do dia
na sutileza dos teus olhos claros e serenos
e me reservo a dizer-te, amiga e amor,
dos meus intentos eróticos.
Nas aléias vestígios do outono
com suas sombras algidas e grisalhas
despem as arvores e atapetam
de folhas o chão verde de musgo.
E quando a noite chegar, amiga,
com sua frieza inconsequente,
escondo meus pecados e mergulho
na cálida placidez dos teus braços.

ESTAÇÃO II

Inverno. Na serenidade dos lençóis
minhas mãos em gestos cálidos
tocam e amornam os mamílos
dos teus seios brancos e castos.
Lá fora o inverno congela
os jardins da cidade sufocada
em gás carbônico
e na enseada do teu púbis,
intermitentes, latejam vulcões.

ESTAÇÃO I

Verão. O dia caminha claro.
A tarde avança carregada de sol
pelos labirintos da cidade aberta
e a coreoagrafia do vento
traz agitação ás copas das arvores
na praça deserta.
Quando não estais comigo, amiga ,
o pesadêlo da espera
gera anseios eróticos
no vácuo de minha imaginação

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A COR DO OLHAR

O olhar se perde no vácuo
das horas.
Polimorfos os raios solares
( semi-opácos)
não penetram na cortina
de neblina que embota
de cinzas e névoas
os labirintos da cidade.
Nada de novo
nestes dias frios
e grisalhos,
apenas uma andorinha
em garras tenta inventar
em vão, o verão
no território do inverno.
E no brilho dos teus olhos
vestígios de mar.

sábado, 12 de novembro de 2011

O POEMA

O poema desgarra-se de mim
impávido e resoluto divorcia-se
dos meus intentos vivenciais,
inventa outono no território do verão
acalenta o plácido coito dos amantes
matiza o corpo virgem da manhã
evoca a leveza dos jardins
na contemplação dos tecidos do dia
voeja pelas dimensões do tempo
desce as inclinações do sol
descreve a geografia do silêncio
rompe a solidão do alpendre
e pousa suavemente casto
na arquitetura cálida e sensual
dos teus seios brancos e castiços.
O poema jamais voltará para mim.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

FOTOGRAFIAS

Meus olhos serenos se perdem
na solidão numeral da parede
( caiada e vetusta)
onde postados em fotografias
esmaecidas pela ferrugem do tempo,
meus mortos me olham
com olhares de memória e névoa
e mastigam impávidos
a erva de seus silêncios.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

EM VÉSPERA DE OCASO

( aos meus amigos de Lisboa)

Nesta tarde de chuva e ócio
com minhas mãos pejadas
de polen de flores suicidas
tento segurar o silêncio
numeral da varanda
e no instante em construção
deixo que as horas sejam
apenas metáforas do tempo
e que as folhas das arvores
desenhem a música do vento
no verde de suas essências
e arquitetem ares de outono.
Olhando os grãos da chuva
saturando os velhos telhados
espero na sutileza do alpendre
( enquanto a memória engole
os gomos do passado),
os pássaros afinarem
seus doces e derradeiros flautins
para a celebração do pálido
acontecer de ocaso.

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...