sábado, 17 de abril de 2010

POESIA MARGINAL (para o poeta Ivan Bueno )


SINOPSE DE MIM

Meu corpo é minha casa
conduzo essa forma vertical
pelos labirintos da vida
( tolhida e agredida)
em busca dos minotauros
da inconsciência coletiva
que espicaçam o mundo
(mas nunca trocarei Cristo por Barrabas).
Minha casa é meu corpo
é preciso aduzí-lo
e apaziguá-lo
com as verdades divinas
para suportar as procelas
deste mar de sargaços humanos
( traições,vilanezas e decepções)
e poder assim evitar as náuseas
da caótica liturgia do cotidiano
perverso e amargo.
( mas nunca trocarei o amor pelo ódio).

sexta-feira, 16 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

POESIA MARGINAL( para Aldisio Filgueiras)


AULA DE POLÍTICA



Alunos a politica

é uma invenção

dos demônios

razão de Deus

andar distante

de nós esses

últimos tempos.


("um dois e três

aquele político

que tiver coragem

de se olhar no espelho

será aclamado rei")

CARNAVAL


No carnaval da vida

todos os foliões inebriados

na passarela dos teus lábios.

sábado, 10 de abril de 2010

CINCO TERCETOS PARA A POETA CARMEM PRESOTTO



I
Flores novas em sépalas
guardam o perfume da manhã
inebriante hálito de jardim.
II
Raios fugidios de sol
rompem o ar da tarde
e atiçam o anoitecer.
III
Uma procelária em garras
bica a superficie marinha
e prenuncia tempestade.
IV
A noite prescreve mistérios
ao desamparo das horas,
súbita a chuva onera o tempo.
V
A manhã outonal conduz o sol
em seu dorso virgem,
pássaros em canto saudam o dia.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

SAUDADES DE BARCELONA


Os olhos cobiçam o Mediterrâneo
o ar sereno da manhã da Catalunha
espalha-se por ruas e grandes vias
onde os olhos verdes e azuis
das imigrantes do leste europeu
catalisam ternamente os cintílos
de sol nas franjas das ramplas
da cidade enquanto a primavera
catalã continua a fabricar flores
ataviando de cor e aroma os jardins.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

CANTIGA PARA O POETA ADROALDO BAUER


A tarde envolve Porto Alegre
os raios lânguidos do sol
jorram fiapos de ouro nas cabeleiras
das árvores da Praça de Oswaldo Cruz,
lá para os lados da Rua da Praia
um vento frio vindo dos Andes
enrijece os ossos e transforma
a cidade poeticamente cinza
(Porto Alegre extasia no inverno).
O fim de tarde cobre os tecidos da cidade
(ruas, becos, praças e avenidas),
e eu caminho na Praça dos Açorianos
por entre os cílios de um chuvísco
que tenta molhar a aspereza das calçadas,
e neste instante a imaginação voeja
nas asas imortais do tempo
e os meus olhos parecem rever
o poeta Mario Quintana sentado
em uma poltrona do Hotel Majestic
tragando seu indefectivel cigarro
a lobrigar os estertores da tarde.
Por fim o sol de vez esmorece
e Porto Alegre calma e bela, anoitece.

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...