terça-feira, 31 de março de 2015

INVEJA

O voo do pássaro
desperta inveja
dos ventos,
ventos são aves
abstratas que queriam...
ser visíveis como águias .

POEMA QUASE CANÇÃO, QUASE SOLIDÃO

Escancaro ás janelas do meu mundo
para receber a noite com suas constelações de sombras,
um vento novo, calouro de sopro,
me traz vestígios de um poema antigo e inacabado
versos coalhados de memórias e ilusões...
perdidas nas enzimas de um tempo
em que meus olhos nunca habitaram.
Olho a cidade, esse território sem fronteiras
cujas ruas são galáxias de assombro e medo,
onde caminho meu corpo magro e vertical
pisando em musgo e liquens que parasitam as pedras.
Súbito uma brisa antiga e ligeira
espalha cinzas do passado na áspera
solidão noturna das calçadas.

QUASE


Uma lua quase morta
iluminando
uma rua quase torta...
teu olhar quase perdido
contando estrelas
na quase amplidão
num banco quase ao lado
do caramanchão,
um quase bando de vagalumes
brilhando na alfombra
e meus pés quase pisando
em minha sombra,
uma rua quase torta
iluminada
por uma lua quase morta
e meu quase silêncio
batendo em tua quase porta.

O CHÔRO

Lagrimas de miséria, indiferença e de discriminação, cuja culpa maior é a de simplesmente habitar uma pele diferente!
Chore porque Deus que te concedeu essa pele mostrará o caminho da redenção, o teu Avalon. "Quando essa tempestade passar, você será o sol".

domingo, 29 de março de 2015

CANTO RESIDUAL I

As metáforas moram
nos subúrbios
do poema.

INVENTÁRIO DE ABISMOS


Hoje não construirei o poema prometido
não poetizarei os delírios e os desencontros das ruas
pejadas de homens sem rostos ...
cada qual carregando sua cruz, sua sina.
e não sairei a colher cintílos de lua
pelos labirintos urbanos dessa cidade feminina.
Hoje não fabricarei o poema na casa dos sonhos
e deixarei que gotas de orvalho inundem
esses jardins de outono para que o dia renasça
lavado e perfumado no vértice do tempo .
E por fim, deixarei de olhar o por do sol em agonia
nas horas febris, nos estertores da tarde.
Hoje não construirei o poema prometido,
deixarei que a vida passe por mim lerda ou célere
com todo o seu conteúdo de realismo.
Hoje não haverá poema na casa dos sonhos.
Ficarei em casa. E quando a noite intensa habitar a varanda
aproveitarei o silencio das horas
para inventariar os meus abismos.

quinta-feira, 26 de março de 2015

CANTIGA VESPERAL EM LAMENTO MAIOR


No ar da tarde salpicada de sol
misturo-me as cinzas das horas,
enfadado com as angústias do mundo...
nego a existência virtual do tempo
e proclamo inutilidade dos relógios.
Nas ruas onde caminho meu corpo
vertical cansado e dolorido a vida
desce os degraus da tarde
e escorre suas incidências sobre a cidade
onde o caos urbano satura e paraninfa
a esquizofrenia do transito.
Sob a solidão das marquises mendigos
rotos, encardidos e silentes
mastigam a erva de suas misérias.
Uma chuva fina e intensa traz o entardecer
e eu nesta esquina aturdido e molhado
espero a noite chegar com seus hectares
sombras para que possa esconder
os rastros dos meus pecados.

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...