quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CANTIGA DE ESPERAR

Esperar que a manhã renasça
dos escombros e das cinzas da noite
e que os ventos com suas cirandas aéreas
varram o outono desfolhado
e que o sol com suas lâminas de fogo e luz
acalente os jardins sombreados
para que não haja holocausto de bromélias.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A TELA

Numa mesa encardida
duas maçãs uma pêra partida
e um bule cor de jade:
natureza morta
apascentado os rebanhos
vivos da tarde.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

TU

( para Judite)

os teus olhos continuam a incendiar
as tardes de pássaros banhados de sol,
e os teus lábios arquitetura
de brilho e ternura
soldam nossas nossas palavras
quando o amor nos visita,
teu corpo, febre de fogo e candura,
casulo de encantos e ensejos
continuam sendo patrimônio
universal dos meus desejos.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A FOTOGRAFIA

As sombras do alpendre
apagam os diálogos da memória.
Plantada na lavoura da parede caiada
( em moldura carcomida pela saliva do tempo)
a fotografia dos mortos mastiga
os gomos de sua solidão,
enquanto a chuva caindo no telhado
desperta os pássaros do meu silêncio.

terça-feira, 26 de junho de 2012

OLHANDO O TEJO

No céu de agosto
gaivotas tingidas de sol
galopam (acrobáticas) os ventos da tarde.
O silêncio surge das escamas do rio
deste rio fatigado de antigas viagens
e de náuseas de velhos marujos
( argonautas de procelas e temporais)
enquanto águas flúvias lambem
as ferrugens do cais.

Cais do Sodré/agosto de 2011.

domingo, 24 de junho de 2012

FRAGMENTOS DO OUTONO

Um sol pálido e morno
na tarde fria e nublada
bosques em abandono
ventos coléricos e frios
agitam arvores desfolhadas,
enquanto pardais distraídos
bicam as sombras do outono.

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...