quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A TELA

Numa mesa encardida
duas maçãs uma pêra partida
e um bule cor de jade:
natureza morta
apascentado os rebanhos
vivos da tarde.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

TU

( para Judite)

os teus olhos continuam a incendiar
as tardes de pássaros banhados de sol,
e os teus lábios arquitetura
de brilho e ternura
soldam nossas nossas palavras
quando o amor nos visita,
teu corpo, febre de fogo e candura,
casulo de encantos e ensejos
continuam sendo patrimônio
universal dos meus desejos.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A FOTOGRAFIA

As sombras do alpendre
apagam os diálogos da memória.
Plantada na lavoura da parede caiada
( em moldura carcomida pela saliva do tempo)
a fotografia dos mortos mastiga
os gomos de sua solidão,
enquanto a chuva caindo no telhado
desperta os pássaros do meu silêncio.

terça-feira, 26 de junho de 2012

OLHANDO O TEJO

No céu de agosto
gaivotas tingidas de sol
galopam (acrobáticas) os ventos da tarde.
O silêncio surge das escamas do rio
deste rio fatigado de antigas viagens
e de náuseas de velhos marujos
( argonautas de procelas e temporais)
enquanto águas flúvias lambem
as ferrugens do cais.

Cais do Sodré/agosto de 2011.

domingo, 24 de junho de 2012

FRAGMENTOS DO OUTONO

Um sol pálido e morno
na tarde fria e nublada
bosques em abandono
ventos coléricos e frios
agitam arvores desfolhadas,
enquanto pardais distraídos
bicam as sombras do outono.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

POEMA PARA MANUEL DE BARROS

Gaivotas banhadas de sol
não grafitam as areias da praia
e o menino descobriu
que o céu não tem fundo
e que as horas são os graus
da vida.

sábado, 16 de junho de 2012

ELEGIA PARA O IRMÃO MORTO

Agora, irmão, que os cristais dos teus olhos
se partiram,
agora que o sol com suas asas de fogo
crestou as flores do teu jardim de inverno,
agora que o silêncio encalhou na enseada
de tua garganta,
agora que as sombras da noite apagaram
teus sonhos veste a túnica inconsutil
dos anjos e assume o comando de tua barca
de brumas e veleja pelos mares castos
do imponderável em buscas de infinitas
manhãs
e que tua palavra agora muda continue a ecoar
nos labirintos de nossa eterna memória.

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...