quarta-feira, 30 de maio de 2012

MANHÃ EM PRINCÍPIO

O sol rompendo o himen da manhã
o silêncio camuflando o pranto da cascata
e o cerrado saturado de pétalas
cumpre os designos da primavera
enquanto nos verdes bosques
a sinfônica dos pássaros
ensaia a ópera do dia.

sábado, 26 de maio de 2012

AUTO - POEMA

A tarde de musgo imprime
sua caligrafia de sol
sobre os labrintos sombrios da cidade
e desnuda o caos urbano,
assustado fujo do mêdo e da angústia das ruas
e me refugio no silêncio fetal do alpendre
onde as horas plantam sementes de tédio
na lavoura arcaica do tempo
e vejo a tarde descambar para o poente
enquanto inquietas andorinhas tentam
pintar ainda com fiapos de sol
a tênue linha do horizonte!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

SIDERAL


Sob a luz tênue e singela
deste quarto sem tempo
( gálaxia noturna)
os meus olhos circudam
a orbita dos teus seios
cálidos e rosados
que parecem duas luas
protuberantes e belas.

domingo, 8 de abril de 2012

EXERCÍCIO

Nesta noite de céu clareado
e de silêncio na varanda,
quero deixar marcados
na arquitetura sensual
dos teus seios morenos
vestígios claros e obscenos
de minhas mãos.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

POEMA

Na noite quente
de verão acêso,
a cidade ardente
apaga os vestígios
do dia e nos jardins
pingos de chuva
lavam as pétalas
viçosas do malmequer
e lá no alto
uma lua nua
rege a dança das marés.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

QUASE NOTURNO

O tempo constroi ruinas nos alicerces da tarde.
O vento em suas travessuras abstratas
pinta de silêncio a arquitetura do alpendre
e um pássaro acrobata, em velocidade,
risca de musgo a pele das arvores
enquanto o sol derrama fiapos de luz
nas escamas do rio.
A noite virá sobre essas velhas casas
encharcadas de anos e liquens
salpicando de cinzas e angústias
essas ruas molhadas de tédio.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ARQUEOLOGIA DO SILÊNCIO

As palavras se unem e se multiplicam
ao sabor imprevisível das metáforas
nesta manhã que espalha suas espumas
pela extensão vetusta do alpendre,
onde as sombras virtuais do passado
se transformam em linguagem de saudades
sacudidas pela coreografia dos ventos
que se alastra pelos quartos e corredores
da casa sombria e envelhecida,
enquanto a arqueologia do silêncio,
em sua vertigem abstrata,
redescobre doces instantes de vidas
e lá fora um sol de verão alimenta
de luz e calor um canteiro de margaridas.

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...