para Lou Albergaria
Os olhos descobrem os contornos
simétricos dos corpos suados
na planicie branca dos lençóis,
as mãos feitas navalhas afiadas
cortam o ar do instante lúbrico
quando o silêncio desperta e sai
de seu casulo noturno.
Mesmo distante da vidraça
os olhos prenunciam
cálidos orgasmos.
Todos os trabalhos postados neste blog são de autoria de Julio Rodrigues Correia e estão albergados pelos termos da Lei nº 9.610 de 19/02/1998 que regula o Direito Autoral no país.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
Á DALI & PICASSO
sábado, 9 de julho de 2011
DUAS VARIAÇÕES PARA A AMADA
1.
Eu queria ser uma sombra
para te proteger do sol inclemente
e uma brisa branda e amena
para suavizar teu rosto
nessa tua caminhada ardente
pelas trinhas invias da vida.
2.
Nesta noite de lua acêsa
vou te declamar poemas
para que possas construir
teus castelos de sonhos
ouvindo o mar de Iracema.
Eu queria ser uma sombra
para te proteger do sol inclemente
e uma brisa branda e amena
para suavizar teu rosto
nessa tua caminhada ardente
pelas trinhas invias da vida.
2.
Nesta noite de lua acêsa
vou te declamar poemas
para que possas construir
teus castelos de sonhos
ouvindo o mar de Iracema.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
MAIAKOVSKI
segunda-feira, 27 de junho de 2011
AUTO-RETRATO
Os meus olhos semi-opácos
abrigo de visões e memórias
apontam os contornos do abismo,
no meu rosto de rugas e cansaço
a reencarnação de meu pai
denuncia minha tez morena.
Escorrendo das pálpebras
o sal das lagrimas inundam
meus cilios,
enquanto minhas mãos
em gestos profanos
sacodem o pó das têmporas.
abrigo de visões e memórias
apontam os contornos do abismo,
no meu rosto de rugas e cansaço
a reencarnação de meu pai
denuncia minha tez morena.
Escorrendo das pálpebras
o sal das lagrimas inundam
meus cilios,
enquanto minhas mãos
em gestos profanos
sacodem o pó das têmporas.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
PAISAGEM DA MEMÓRIA
Eu me lembro bem
havia um alpendre
chamuscado de sol
na casa de minha infância
onde os ventos
outonais varriam
o pó das manhãs.
Havia um sala
larga e imponente
e uma cadeira
de embalo onde meu
pai desfiava seus
projetos de grandeza
aos ouvidos de minha
avó que no silêncio
de seu tricô o ouvia
atenta e paciente,
como eram verdes
os dias na casa
de minha infância.
No útero da cozinha
minha mãe com suas
mãos brancas de candura
orquestrava almoços
e jantares sempre
com um sorriso aflorado
á boca carregada de ternura,
havia também uma lua
maiúscula que iluminava
as historias do meu avô
nas tépidas noites de verão,
ah, como eram cândidos os dias
na casa de minha infância.
havia um alpendre
chamuscado de sol
na casa de minha infância
onde os ventos
outonais varriam
o pó das manhãs.
Havia um sala
larga e imponente
e uma cadeira
de embalo onde meu
pai desfiava seus
projetos de grandeza
aos ouvidos de minha
avó que no silêncio
de seu tricô o ouvia
atenta e paciente,
como eram verdes
os dias na casa
de minha infância.
No útero da cozinha
minha mãe com suas
mãos brancas de candura
orquestrava almoços
e jantares sempre
com um sorriso aflorado
á boca carregada de ternura,
havia também uma lua
maiúscula que iluminava
as historias do meu avô
nas tépidas noites de verão,
ah, como eram cândidos os dias
na casa de minha infância.
terça-feira, 21 de junho de 2011
A SIMETRIA DO SILÊNCIO

Me arrasto pelos caminhos empoeirados
do mundo. O tempo carrasco implacável da vida
oxida o circuito de minhas vértebras
e eu claudicante tento enfrentar os embargos do cotidiano
como um mareante enfrenta um mar
proceloso e insano,
arraigados em meu peito trago
um sol morto e uma lua naufraga
e os dias são sombrios cinzentos
sujeitos a chuvas e trovoadas
e a simetria deste silêncio
evoca lembranças remotas
cerzidas de saudades
que julguei estarem enforcadas, mortas
no patibulo dos anos.
Tento com as mãos em gestos prontos
apagar a tarde e com minha ansia apressar
a noite
para que suas sombras indefinidas
ocultem os duendes do meu delirio.
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EROTICA
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