terça-feira, 16 de abril de 2019

CAMINHADA


Vamos, amiga, caminhar por essas sendas desconhecidas. Não temas a escuridão, trago comigo uma lua de bolso para guiar nossos passos no chão e a noite, amiga, envelheceu sobre os seus próprios desastres e os sátiros guardiães de suas sombras também envelheceram sobre os escombros do tempo. No fim da caminhada, amiga, o sol renascerá sobre um campo de margaridas e beberemos um pouco de orvalho na concha policrômica da manhã. Vamos, amiga, continuar a caminhada e que no fim da jornada, do outro lado do tempo, um novo horizonte nos espera

domingo, 14 de abril de 2019

ME SIRVO

Me sirvo da manhã
para catar fiapos de sol
na grama do parque
me sirvo da chuva
para lavar meus pecados
me sirvo das tintas do arco-íris
para pintar as cores do arrebol
me sirvo da tarde
para colher nuvens
no céu acetinado
me sirvo da noite
para dormir meus sonhos
e devaneios]
por fim me sirvo do silêncio
nas horas caladas
para me inebriar
com a arquitetura lubrica
dos seios da mulher amada.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

POÉTICA II

De manhã colho orvalho
nos jardins da ruas
para molhar teus cabelos
de tarde roubo canto
dos pássaros para ninar tua sesta
e de noite pinto teus cílios
com a prata da lua.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

IDÍLICA CAMINHADA PELOS RUMOS DO MUNDO




Estamos na trilha dos quarenta e sete anos de caminhada pelas arestas estafantes da vida. Quarenta e sete luas, quarenta e sete estações, palmilhando planícies e cumeadas, seguindo para frente e para alto. Nunca deixamos de sentir em nossos caminhos o ardor do verão, a poesia do outono desfolhado, o refrigério do inverno e o olor da primavera. Unidos em liame de amor e ternura continuamos a marcha até o dia em que cavalgaremos pelo crepúsculo. Vem, amor, deixe um pouco esse nosso quarto de sonhos onde estão confinados nossos rebanhos de memórias, saia da vertigem desse silêncio e senta comigo nesta varanda de tempo e deixe que os vagalumes orbitem o ar dos teus cabelos, eles são pequenas luas terrestres que voam e que precisam de fagulhas da tua aura luminosa para acender seus lumes. Não se importe com o sopro dos ventos eles são, apenas, polinizadores de auroras e suavizam essa noite de nossa efeméride. Sou-lhe muito grato, amor, por continuar marchando comigo pelos caminhos da vida e do mundo, enfrentado sendas difíceis de serem vencidas, mas temos conseguido suplantá-las . Tens sido, amada, a bussola que tem norteado a vida desse pobre poeta, garimpeiro de luas, faiscador de estrelas e contra - mestre dos sonhos. Hoje continuamos a jornada de quarenta e sete anos juntos. Estamos descendo as escarpas do tempo. Procedemos de Deus e vamos para Deus, “a terra é apenas uma passagem, caminho entre dois infinitos”. Mas continuamos a nossa jornada ao lado de filhos, netos e bisneto. A vida é uma festa, ainda.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

CAOS

Há tantas cicatrizes
nestes caminhos,
há tantos passos
errados nestas estradas
nenhum sorriso
percebi nesta multidão
encharcada de traumas
e neuroses
e o caos urbano
torna a vida
questionável e insípida.
mas será consigo sobreviver
até o fim desta avenida?

TRISTES TRÓPICOS

Eu cansei dos trópicos. Cansei de presidentes ruins, governadores ruins,prefeitos ruins, parlamentares ruins, aeroportos ruins, rodovias ruins e portos ruins. Cansei de ouvir, ver e ler na mídia: roubo em estatais, país bate recorde em homicídios e acidentes de transito, os dois juntos ganham de qualquer guerra em números de vítimas.
Cansei de péssimo serviços de saúde, educação, segurança e de políticos salafrários. O meu amigo, poeta Aldisio Fílgueiras, escreveu um dia: "como é difícil ser romano nos trópicos". Cansei dos trópicos. Tristes trópicos.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

SOBRE MINHA MÃE


Em cada gestos de minha mãe
nascia um poema em cada olhar
de minha mãe abria-se
um foco de luz que alumbrava
a escuridão dos meus
caminhos
cada palavra
de minha mãe era um idioma
que universalizava a ternura

.
( tuas lembranças,mãe, fertilizam ainda mais a minha saudade)

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...