domingo, 10 de junho de 2012

POEMA

Os ventos trazem vestígios
de tua presença na rua
salpicada de sol,
enquanto a tarde prenhe
de pássaros e cantos
desperta o sono dos jardins.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O ALPENDRE

Bruni os anos da infância
restaram apenas sombras opacas
daquilo que nunca fui
e esse alpendre decrépito,
(com a cal despregando-se do teto)
onde meus mortos se assentam
para mascar contritos
a erva do esquecimento.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

MANHÃ EM PRINCÍPIO

O sol rompendo o himen da manhã
o silêncio camuflando o pranto da cascata
e o cerrado saturado de pétalas
cumpre os designos da primavera
enquanto nos verdes bosques
a sinfônica dos pássaros
ensaia a ópera do dia.

sábado, 26 de maio de 2012

AUTO - POEMA

A tarde de musgo imprime
sua caligrafia de sol
sobre os labrintos sombrios da cidade
e desnuda o caos urbano,
assustado fujo do mêdo e da angústia das ruas
e me refugio no silêncio fetal do alpendre
onde as horas plantam sementes de tédio
na lavoura arcaica do tempo
e vejo a tarde descambar para o poente
enquanto inquietas andorinhas tentam
pintar ainda com fiapos de sol
a tênue linha do horizonte!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

SIDERAL


Sob a luz tênue e singela
deste quarto sem tempo
( gálaxia noturna)
os meus olhos circudam
a orbita dos teus seios
cálidos e rosados
que parecem duas luas
protuberantes e belas.

domingo, 8 de abril de 2012

EXERCÍCIO

Nesta noite de céu clareado
e de silêncio na varanda,
quero deixar marcados
na arquitetura sensual
dos teus seios morenos
vestígios claros e obscenos
de minhas mãos.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

POEMA

Na noite quente
de verão acêso,
a cidade ardente
apaga os vestígios
do dia e nos jardins
pingos de chuva
lavam as pétalas
viçosas do malmequer
e lá no alto
uma lua nua
rege a dança das marés.

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...