domingo, 14 de novembro de 2010

POSSIVEL POEMA EM FIM DE TARDE

O alpendre me conduz ao silêncio.
Na tarde em véspera de ocaso
um pássaro tenor sublima
a ópera do sol.
Nos jardins flores (em seus
discursos de pétalas)
mostram a rota da primavera
enquanto os ventos varrem
o pó das ruas e coagulam
os rastros da memória.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

PERENIDADE

Os mortos perscrutam o tempo
e os ossos continuarão caústicos e incolumes
no fundo da terra eivada de ácido e umidade
como vínculo indissoluvel
entre o homem e a eternidade.

sábado, 6 de novembro de 2010

NATUREZA VIVA


O velho vaso de flor sobre a mesa*
na cadeira de embalo auscultando
o tempo
meu avô urdi silêncios
enquanto na sala as mão calidas
de minha avó, ageis,
tecem a trama da vida
no seu tricô.
* o primeiro verso é de Nydia Bonetti.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

TALVEZ UM POEMA DE AMOR

Os olhos da noite
perpetuam os relevos
do teu corpo em têmpera,
no silêncio do alpendre.
Subito e inebriados
meus lábios em chamas
desaguam na arquitetura
lúbrica de tua boca.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

POEMA


A sombra do alpendre
(recesso de sonhos e memória)
permanece imponente e inalterado
fustigando os dragões do tempo
e acomodando os gomos do silêncio.

sábado, 30 de outubro de 2010

PEQUENO POEMA QUE VIROU CANÇÃO


Meus olhos captam o neon
dos letreiros das lojas de grife
a noite recolhe a soma
dos meus delírios
e o instante esculpe silêncios
no cerne das avenidas.
Há um passado ocultos nestas
ruas de vertigens e tédio
onde os ventos mornos
varrem a solidão dos jardins
esquecidos enquanto o tempo
coalha minha sombra no asfalto.

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...