No ciclo de minha infância
havia um riacho de águas
claras e piscosas
que serpenteava
pelo ventre da cidade
e chegava impávido ao rio.
Dele o peixe sadio
nos almôços de sábado
nele o banho suave
nas manhãs dominicais.
Um dia chegaram os homens
com seus apetrechos
de fúria e ganância,
( agentes da destruição)
toldaram as águas
sufocaram cardumes
apodreceram suas margens.
E o riacho de minha infância
hoje está assoreado e morto
mas ainda corre
límpido e soberano
nos labirintos de minha memória.
( poema dedicado a brilhante poeta Nydia Bonetti que teve um rio em sua infância)
Todos os trabalhos postados neste blog são de autoria de Julio Rodrigues Correia e estão albergados pelos termos da Lei nº 9.610 de 19/02/1998 que regula o Direito Autoral no país.
domingo, 20 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
POEMA SURREALISTA
A janela aberta
deixa entrar na sala
as nuvens de inverno
o ar gelado da manhã
( sem pouso)
congela a fotografia
da menina-moça
na parede gasta
de sal e vida.
Na cadeira de embalo
um velho de picinez
( curvados pelos anos)
traduz versículos
do apocalipse.
deixa entrar na sala
as nuvens de inverno
o ar gelado da manhã
( sem pouso)
congela a fotografia
da menina-moça
na parede gasta
de sal e vida.
Na cadeira de embalo
um velho de picinez
( curvados pelos anos)
traduz versículos
do apocalipse.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
OS CORVOS DE PARIS
Já os tinha visto nos filmes de terror, principalmente nos protagonizados pelo ator americano Vicente Prince. Mas a primeira vez que os vi de perto, ao vivo, foi no verão do ano passado no cemitério Pére Lachaise, localizado no vigésimo "arrondissement" da capital francêsa. Estava de férias na Cidade Luz e havia prometido ao meu filho primogênito que iria visitar o túmulo do roqueiro Jim Morrison, ex-vocalista dos Doors que ali se encontra sepultado. Ele foi encontrado morto na banheira de seu apartamento de Paris em julho de 1971.
Eu e Judite atravessamos várias divisões daquele cemitério famoso e de repente nos perdemos entre sepulturas de gente célebre. Estavamos na Divisão 48 e Jim está sepultado na Divisão 16, assim nos disse um coveiro falando um inglês bastante compreensivel. Quando caminhavamos para o túmulo de Jim, de súbito três pássaros negros de bicos aduncos voaram sobre as criptas.. Um pousou sobre a cabeça da erma de Honoré du Balzac e os outros dois ficaram no solo bicando a grama. Grasnavam fréneticos, se moviam em todas direções.
Um deles, em gestos,parecia com meu ex- professor de Lógica Formal na universidade. Iam e voltavam, sempre grasnando e bicando o chão. Foi então, que pela primeira vez vi corvos.Judite os achou feios e sinistros. E quando chegamos a sepultura de Jim, pessoas de todas partes do mundo oravam e cantavam ao redor da campa daquele que um dia foi lider de uma das mais importantes banda de rock do mundo: The Doors.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
O ENCANTAMENTO DO POETA

O poeta amazônico Anibal Beça encantou-se hoje pela manhã num hospital da cidade de Manaus, cidade que amou e a exaltou em inúmeros poemas. Pertencente a uma geração de intelectuais manauara que nos anos 60 se revoltou com a predominância do academicismo e fundou o Clube da Madrugada, com uma nova proposta de fazer literatura. Embora tenha se integrado ao movimento anos depois sua presença na literatura amazonense é de uma importância vital. Anibal foi meu contemporanêo no antigo Colégio Brasileiro, na rua 10 de Julho, no centro de Manaus. Depois enveredamos por caminhos diversos. Publicou varios livros, inclusive o clássico, "Suite para os Habitante da Noite" ganhador do prêmio Nestlê de Literatura. Sua primeira obra foi " Convite ao Frugal". Boa viagem irmão! Que as musas te recebam com flores no parnaso celeste.
" Os poetas não morrem se encantam"
Guimarães Rosas.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
MÍNIMO NOTURNO
Na escuridão da tua noite
meus olhos são dois tições ardentes
( lampiões incandescentes)
rompendo o himen da madrugada
em busca da manhã plena
de pássaros, cantos e vidas...
Montmartre, Paris,Fr, julho de 2009.
meus olhos são dois tições ardentes
( lampiões incandescentes)
rompendo o himen da madrugada
em busca da manhã plena
de pássaros, cantos e vidas...
Montmartre, Paris,Fr, julho de 2009.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
INSTÂNTANEO DE VIAGEM

Sentado ao lado da estátua do poeta português Fernando Pessôa, localizada no Largo do Chiado, na rua de Almeida Garret, outro poeta lusitano, no centro histórico de Lisboa. A estátua de Fernando Pessôa é visitada por gente de todo o mundo, uma atração turística do centro antigo de Lisboa. Nesta café, o poeta todas as tardes vinha tomar seu cafezinho e depois saborear um imperial (chopp) e escreveu célebres poemas.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
CIRCULO VICIOSO
O silêncio liberta a palavra
a palavra liberta cardumes de idéias
as idéias arquitetam o poema
o poema constroi sonhos
o sonho liberta a esperança
e a esperança alimenta a vida.
a palavra liberta cardumes de idéias
as idéias arquitetam o poema
o poema constroi sonhos
o sonho liberta a esperança
e a esperança alimenta a vida.
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EROTICA
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Cintia Thomé a linguagem poética fluindo sobre o dorso da tarde, a palavra nua e crua arquiteta fugas no areado do mar a emoção coletando ve...