quinta-feira, 25 de julho de 2019

OCULAR

Os olhos imigram
do espelho
e atravessam o território
da memória.
Mesmo deportado
da mutação do tempo
ainda sonho com teus
olhos caídos de primavera.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

PÁSSAROS

Ontem na clara manhã de julho
vi casais de alegres 
sanhaços
bebendo sol
nas grades
do meu terraço.

CENA AMAZÔNICA

A noite caminhava sobre o rio, abrindo sulcos luminosos no dorso das águas com as lanternas da lua. Cantos de pássaros noturnos revelavam que a floresta não dormia. Uma ciranda de peixes saltavam mostrando suas escamas em plena a piracema. Os rebojos das grandes águas pareciam querer devorar o barco. De repente uma nuvem sépia escondeu a lua e o breu se instalou: a escuridão venceu a luz.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

O SEMEADOR DE AURORAS

Todos os dias depois do ocaso
planto auroras na lavoura arcaica da noite,
e me vingo da escuridão das ruas
colhendo lumes de luas
nos jardins suspensos da imaginação,
com gotas de orvalho irrigo
os latifúndios das horas
para fertilizar as sementes do tempo
e quando o dia renascer
do ventre da madrugada
alimentarei os pássaros da varanda
com grãos de sol e mais nada.

terça-feira, 9 de julho de 2019

ERÓTICA

Entre as tuas tenras coxas
a erva da sedução
narcotiza meus gestos
abala meus sentidos
e minhas mãos se perdem
no labirinto terno
e obscuro do teu púbis
enquanto o teu corpo inteiro
(desabrochando como um lírio)
me convida ao delírio.

sábado, 6 de julho de 2019

VIAGEM AOS OLHOS DE JUDE

Ó Jude, os teus olhos germinam
lírios e crisântemos e o ar de tua boca
se confunde com anélito de jasmim,
e os teus cálidos braços 
constroem abraços de ternura,
meu universo, Jude,
é o céu do teu olhar.
Sinto tudo isso quando viajo em ti,
.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

A CASA DO SILÊNCIO

Hoje fui à casa onde adolesci. Fica no numero 60 da Rua João Alfredo no antigo Boulevard. Apertei a cigarra e a empregada veio abrir a porta. Entrei e um silêncio quase solene tomou conta do ambiente . Súbito o passado abraçou-me como um velho amigo . Fiz uma rápida viagem pelas ruas e avenidas da antiga residência. O silêncio encantou a casa. Esta em anos pretéritos era só alegria. Todos vivos. Meus irmãos, minha mãe, meu pai e os tios. A casa era um congresso de risos e de felicidade, mas quase todos foram embora, montaram em seus corcéis de brumas e partiram no rumo da Luz. Sobrou apenas três. Eu, Hélio e Áurea. Esta foi internada recentemente e casa agora está sendo comandada pela Renata, uma espécie de governanta que cuidava de minha irmã e agora ameniza as dores de meu sobrinho enfermo. Ela agora dar ás ordens aos fantasmas do passado que ainda estão, impregnados no ar da casa do silencio. Não me contive, meus olhos se inundaram de lagrimas. Diz o poeta que lagrimas são orvalhos da alma. Neste instante, ao olhar o quarto onde dormia e que era o recanto dos meus sonhos e fantasias, meu corpo inteiro orvalhou-se. Peguei Jude pelo braço e saímos da casa do silêncio.

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...