sexta-feira, 12 de abril de 2019

POÉTICA II

De manhã colho orvalho
nos jardins da ruas
para molhar teus cabelos
de tarde roubo canto
dos pássaros para ninar tua sesta
e de noite pinto teus cílios
com a prata da lua.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

IDÍLICA CAMINHADA PELOS RUMOS DO MUNDO




Estamos na trilha dos quarenta e sete anos de caminhada pelas arestas estafantes da vida. Quarenta e sete luas, quarenta e sete estações, palmilhando planícies e cumeadas, seguindo para frente e para alto. Nunca deixamos de sentir em nossos caminhos o ardor do verão, a poesia do outono desfolhado, o refrigério do inverno e o olor da primavera. Unidos em liame de amor e ternura continuamos a marcha até o dia em que cavalgaremos pelo crepúsculo. Vem, amor, deixe um pouco esse nosso quarto de sonhos onde estão confinados nossos rebanhos de memórias, saia da vertigem desse silêncio e senta comigo nesta varanda de tempo e deixe que os vagalumes orbitem o ar dos teus cabelos, eles são pequenas luas terrestres que voam e que precisam de fagulhas da tua aura luminosa para acender seus lumes. Não se importe com o sopro dos ventos eles são, apenas, polinizadores de auroras e suavizam essa noite de nossa efeméride. Sou-lhe muito grato, amor, por continuar marchando comigo pelos caminhos da vida e do mundo, enfrentado sendas difíceis de serem vencidas, mas temos conseguido suplantá-las . Tens sido, amada, a bussola que tem norteado a vida desse pobre poeta, garimpeiro de luas, faiscador de estrelas e contra - mestre dos sonhos. Hoje continuamos a jornada de quarenta e sete anos juntos. Estamos descendo as escarpas do tempo. Procedemos de Deus e vamos para Deus, “a terra é apenas uma passagem, caminho entre dois infinitos”. Mas continuamos a nossa jornada ao lado de filhos, netos e bisneto. A vida é uma festa, ainda.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

CAOS

Há tantas cicatrizes
nestes caminhos,
há tantos passos
errados nestas estradas
nenhum sorriso
percebi nesta multidão
encharcada de traumas
e neuroses
e o caos urbano
torna a vida
questionável e insípida.
mas será consigo sobreviver
até o fim desta avenida?

TRISTES TRÓPICOS

Eu cansei dos trópicos. Cansei de presidentes ruins, governadores ruins,prefeitos ruins, parlamentares ruins, aeroportos ruins, rodovias ruins e portos ruins. Cansei de ouvir, ver e ler na mídia: roubo em estatais, país bate recorde em homicídios e acidentes de transito, os dois juntos ganham de qualquer guerra em números de vítimas.
Cansei de péssimo serviços de saúde, educação, segurança e de políticos salafrários. O meu amigo, poeta Aldisio Fílgueiras, escreveu um dia: "como é difícil ser romano nos trópicos". Cansei dos trópicos. Tristes trópicos.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

SOBRE MINHA MÃE


Em cada gestos de minha mãe
nascia um poema em cada olhar
de minha mãe abria-se
um foco de luz que alumbrava
a escuridão dos meus
caminhos
cada palavra
de minha mãe era um idioma
que universalizava a ternura

.
( tuas lembranças,mãe, fertilizam ainda mais a minha saudade)

domingo, 4 de novembro de 2018

MÍNIMA PAISAGEM

O sol em rota de ocaso
com seu brilho já tênue,
quase morto, ainda invade
os telhados das velhas casas
esquecidas]
ao longo da praça deserta,
vindo da ribeira uma lufada
de ventos, sem alarde,
tenta suavizar a canícula do dia.
Pousado sobre a ponte um velho pássaro
descansa suas asas fatigadas
de distâncias percorridas,
enquanto seu canto metálico
enternece e engravida a tarde.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

INVENÇÃO

Vi o sol saindo dos teus olhos
e incendiando os portais da tarde,
crestando os fractais surrealistas
dos meus sonhos.
E quando acordei já era noite.
No parapeito da janela do quarto,
um pedaço de lua me olhava de soslaio.
E quase desmaio.

EROTICA

Entre as tuas tenras coxas a erva da sedução narcotiza meus gestos abala meus sentidos e minhas mãos se perdem no labirinto terno e obscuro ...